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	<title>Blog - SYMBIOMICS</title>
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	<description>Microbes for a sustainable agriculture</description>
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	<title>Blog - SYMBIOMICS</title>
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	<item>
		<title>O sucesso da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) no Brasil</title>
		<link>https://www.symbiomics.com.br/pt/o-sucesso-da-fixacao-biologica-de-nitrogenio-fbn-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Symbiomics Team]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Sep 2022 19:35:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[fixação biológica de nitrogênio]]></category>
		<category><![CDATA[inoculação]]></category>
		<category><![CDATA[soja]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poucas iniciativas na agricultura tiveram tanto sucesso quanto o desenvolvimento e implementação da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) nas lavouras [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/o-sucesso-da-fixacao-biologica-de-nitrogenio-fbn-no-brasil/">O sucesso da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) no Brasil</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Poucas iniciativas na agricultura tiveram tanto sucesso quanto o desenvolvimento e implementação da </span><b>Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)</b><span style="font-weight: 400;"> nas lavouras brasileiras. Hoje, </span><b>cerca de 80% das plantações de soja </b><span style="font-weight: 400;">no país são tratadas com produtos à base de bactérias do gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">Bradyrhizobium</span></i><span style="font-weight: 400;">, de acordo com a Associação Nacional de Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII). O objetivo é </span><b>disponibilizar biologicamente o nitrogênio atmosférico para as plantas</b><span style="font-weight: 400;"> e diminuir – ou eliminar – a necessidade de fertilizantes nitrogenados sintéticos. Mas o que explica o terreno fértil que a FBN encontrou no Brasil?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Primeiro, trata-se de uma tecnologia com raízes em processos naturais e </span><b>potencializada pela pesquisa científica pioneira do Brasil</b><span style="font-weight: 400;">. As bactérias presentes nos inoculantes para FBN utilizam a enzima nitrogenase para catalisar a conversão do nitrogênio atmosférico (N₂) em amônia (NH₃), disponibilizando o nutriente presente na atmosfera para absorção pelas plantas. Bactérias do gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">Bradyrhizobium </span></i><span style="font-weight: 400;">– também conhecidas como rizóbios –</span> <span style="font-weight: 400;">estão naturalmente presentes em leguminosas, criando uma relação simbiótica com essas plantas. As bactérias se alojam em nódulos criados nas raízes das plantas, onde obtêm nutrientes enquanto fornecem o nitrogênio assimilável. Foi através do estudo dessas bactérias e de seu papel na natureza que os inoculantes para FBN foram desenvolvidos e implementados em culturas como a soja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte desse sucesso também é explicado pela busca, nas últimas décadas, por alternativas para redução da necessidade de agroquímicos. No caso da ureia, </span><b>principal fertilizante utilizado globalmente para a disponibilização de nitrogênio</b><span style="font-weight: 400;">, o processo de fabricação depende de combustíveis fósseis – recursos cada vez mais escassos, caros e associados à emissão de gases de efeito estufa (GEEs) e às mudanças climáticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, com a pressão dos mercados internacionais por modos mais sustentáveis de exercer as atividades agrícolas e industriais, o uso de fertilizantes sintéticos têm </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/business/valor-de-importacoes-de-fertilizantes-registra-alta-de-178-em-2022-aponta-cna/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">encarecido</span></a><span style="font-weight: 400;"> a produção de alimentos, recaindo sobre o bolso do consumidor final. Outro fator a se considerar é a dependência do Brasil do mercado exterior para importar seus fertilizantes, o que torna o país refém das instabilidades geopolíticas que encarecem o insumo, como no caso da </span><a href="https://cnabrasil.org.br/noticias/guerra-russia-ucrania-o-panorama-do-abastecimento-de-fertilizantes" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Guerra da Ucrânia no início de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Solon Cordeiro de Araujo, consultor da ANPII e um dos maiores especialistas em FBN do Brasil, também vê no crescente processo de adoção dos inoculantes nas últimas décadas uma mudança de lógica na agricultura. “Durante uma certa época, pensava-se que o solo era apenas um repositório para segurar a planta, o alimento então poderia ser todo disponibilizado via adubo. Isso falhou totalmente”. Solon destaca como a </span><b>degradação contínua do solo pelo uso intensivo de produtos químicos motivou diferentes setores a enxergarem-no como um organismo vivo</b><span style="font-weight: 400;">, impulsionando o sucesso de iniciativas como a da Fixação Biológica de Nitrogênio na soja.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O Brasil é um dos países mais abertos à inovação na agricultura. Assim como a indústria, a agricultura brasileira também é um setor dinâmico e bem receptivo a novas tecnologias que aumentem a produtividade e a sustentabilidade das atividades agrícolas”, comenta Araujo.</span></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">O impulso da Fixação Biológica de Nitrogênio nos anos 1970</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento, disseminação e sucesso da FBN na cultura da soja no Brasil é fruto de uma </span><b>movimentação conjunta de instituições de pesquisa, órgãos do Estado e empresas produtoras de insumos agrícolas</b><span style="font-weight: 400;">. Enquanto em meados dos anos 1970 diversos países investiram na produção e desenvolvimento de fertilizantes nitrogenados para uso agrícola, o Brasil optou por seguir outro caminho e explorar o </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/produtos-biologicos-podem-ajudar-o-pais-a-diminuir-a-dependencia-de-fertilizantes-quimicos/" target="_blank" rel="noopener"><b>potencial dos microrganismos</b></a><span style="font-weight: 400;"> para este mesmo fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um grande expoente dessa história foi a pesquisadora </span><a href="https://www.embrapa.br/johanna-dobereiner/quem-foi" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Johanna Döbereiner</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1924–2000). Atuante na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a agrônoma naturalizada brasileira investigou, ainda na década de 1950, bactérias do gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">Bradyrhizobium</span></i><span style="font-weight: 400;">. Suas pesquisas influenciaram, a partir da década seguinte, o programa brasileiro de melhoramento da soja, o que contribuiu para a diminuição do uso de fertilizantes nitrogenados nas lavouras da cultura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu trabalho também alavancou o conhecimento da ciência sobre os mecanismos microbiológicos envolvidos na nutrição vegetal, o que possibilitou o surgimento dos primeiros bioinsumos e inoculantes para a agricultura. Hoje, tais tecnologias são sinônimo de produtividade e sustentabilidade.</span></p>
<h2><span style="font-weight: 400;">Expansão da soja</span></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é possível falar sobre o desenvolvimento da FBN no Brasil sem mencionar a expansão da soja também na década de 1970. Até 1975, as lavouras de soja brasileiras se restringiam  ao Rio Grande do Sul, onde as características climáticas e do solo são muito similares às de outras regiões produtoras à época, em especial nos Estados Unidos. As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas pelo aumento da demanda por soja no mercado mundial com fins de produção de ração para a pecuária, o que então valorizou o preço do grão no mercado global e alçou a soja à cultura de interesse para o Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi então que o Estado brasileiro, assim como os produtores rurais, passaram a enxergar a soja como um grão estratégico para o país, investindo em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que possibilitaram sua “</span><a href="https://www.embrapa.br/soja/cultivos/soja1/historia" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">tropicalização</span></a><span style="font-weight: 400;">” e expansão para outras regiões do país, em especial a partir de 1975. Graças à ciência brasileira – notadamente na figura da Embrapa – novos cultivares adaptados a regiões tropicais foram desenvolvidos e </span><a href="http://www.aprosoja.com.br/soja-e-milho/a-historia-da-soja" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">o grão prosperou</span></a><span style="font-weight: 400;"> também nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito bem adaptada à sojicultura, </span><b>a Fixação Biológica de Nitrogênio foi uma frente de biotecnologia agrícola que acompanhou e impulsionou a expansão da soja</b><span style="font-weight: 400;"> em direção ao Norte do país, possibilitando a redução de gastos com fertilizantes e aumentando a produtividade da cultura. A década de 1970, então, ficou marcada por uma confluência de fatores e esforços que culminaram na importância atual da soja para a agricultura brasileira.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Benefícios econômicos e ambientais </span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">O sucesso da Fixação Biológica de Nitrogênio nas plantações brasileiras de soja foi um dos elementos que contribuiu para que o país se tornasse </span><b>o maior produtor mundial do grão</b><span style="font-weight: 400;">. Um </span><a href="https://www.embrapa.br/soja/cultivos/soja1/dados-economicos" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">levantamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de 2021 apontou que os cerca de 40 milhões de hectares plantados produziram  140 milhões de toneladas de soja. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.conab.gov.br/ultimas-noticias/4731-safra-2022-23-producao-de-graos-pode-chegar-a-308-milhoes-de-toneladas-impulsionada-pela-boa-rentabilidade-de-milho-soja-e-algodao" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Conab projeta</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a produção pode chegar a 150 milhões de toneladas na safra 2022/2023, o que significaria um cenário recorde para a produção. Em segundo lugar entre os maiores produtores de soja vem os Estados Unidos, que na safra 2020/2021 cultivaram 33 milhões de hectares e produziram 112 milhões de toneladas na safra 2020/2021, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). O Brasil também se tornou, em 2020, </span><a href="https://summitagro.estadao.com.br/comercio-exterior/quais-sao-os-principais-produtores-de-graos-do-mundo/#:~:text=O%20Pa%C3%ADs%20%C3%A9%20o%20maior,de%20toneladas%2C%20superando%20os%20EUA." target="_blank" rel="noopener"><b>o maior exportador mundial de soja</b></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de contribuir com a consolidação da liderança brasileira na produção e comercialização da soja, a Fixação Biológica de Nitrogênio trouxe grandes economias ao produtor rural. Tecnologia barata e acessível, a FBN contribuiu para aumentar a competitividade da soja brasileira frente ao mercado interno e também global. Para se ter uma ideia, por conta da FBN, </span><a href="https://doi.org/10.3389/fmicb.2022.834622" target="_blank" rel="noopener"><b>o Brasil economiza surpreendentes US$ 10,2 bilhões em fertilizantes nitrogenados por ano</b></a><span style="font-weight: 400;">. Isso se deve principalmente aos custos mais baixos que o uso da FBN oferece ao produtor, se comparados aos de fertilizantes. Enquanto fertilizantes nitrogenados podem chegar a valores próximos de R$ 1.000,00 por hectare, </span><a href="https://agencia.fapesp.br/uso-de-biofertilizantes-na-soja-brasileira-e-destaque-em-publicacao-cientifica/39156/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">o inoculante para FBN custa menos de R$ 50,00</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso sem mencionar as vantagens para o meio ambiente. Estima-se que cada quilograma de fertilizante nitrogenado sintético produzido seja responsável pela emissão de 10 kg de CO₂ equivalente (CO₂eq). Em função do emprego da FBN em cerca de 80% da área cultivada de soja no país, o </span><b>Brasil deixa de emitir, anualmente, 430 milhões de toneladas de CO₂ para a atmosfera</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se os cerca de 40 milhões de hectares de soja brasileira não dispusessem da Fixação Biológica de Nitrogênio para fornecer o nutriente à planta, o país teria que importar muito mais fertilizantes químicos, aumentando os custos da produção e a emissão de gases de efeito estufa. Considerando a <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/mercado-de-carbono-brasil-da-primeiros-passos/" target="_blank" rel="noopener">preocupação mundial</a> com o avanço das mudanças climáticas, os inoculantes para FBN são uma tecnologia que </span><b>contribui consideravelmente para o aumento da sustentabilidade agrícola</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Principais referências</span></h1>
<p>Olmo, R.; Wetzels, S.; Armanhi, J.S.L.; Arruda, P.; Berg, G.; Cernava, T.; Cotter, P. D.; Araujo, S.C.; de Souza, R. S. C.; Ferrocino, I.; Frisvad, J. C.; Georgalaki, M.; Hansen, H. H.; Kazou, M.; Kiran, G. S.; Kostic, T.; Krauss-Etschmann, S.; Kriaa, A.; Lange, L.; Maguin, E.; Mitter, B.; Nielsen, M. O.; Olivares, M.; Quijada, N. M.; Romaní-Pérez, M.; Sanz, Y.; Schloter, M.; Schmitt-Kopplin, P.; Seaton, S. C.; Selvin, J.; Sessitsch, A.; Wang, M.; Zwirzitz, B.; Selberherr, E.; and Wagner, M. <span style="font-weight: 400;">(2022). Microbiome research as an effective driver of success stories in agrifood systems – A selection of case studies. </span><i><span style="font-weight: 400;">Front. Microbiol.</span></i> <a href="https://doi.org/10.3389/fmicb.2022.834622"><span style="font-weight: 400;">https://doi.org/10.3389/fmicb.2022.834622</span></a></p><p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/o-sucesso-da-fixacao-biologica-de-nitrogenio-fbn-no-brasil/">O sucesso da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) no Brasil</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Soluções Baseadas na Natureza: definições e práticas</title>
		<link>https://www.symbiomics.com.br/pt/solucoes-baseadas-na-natureza-definicoes-e-praticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Symbiomics Team]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Aug 2022 12:07:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[soluções baseadas na natureza]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você sabe o que são as Soluções Baseadas na Natureza (SBN)? O conceito guarda-chuva foi criado pela União Internacional para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Você sabe o que são as </span><b>Soluções Baseadas na Natureza (SBN)</b><span style="font-weight: 400;">? O conceito guarda-chuva foi criado pela </span><a href="https://www.iucn.org/our-work/nature-based-solutions#:~:text=About%20Nature%2Dbased%20Solutions,simultaneously%20benefiting%20people%20and%20nature" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e se refere às ações e tecnologias para manejar de forma sustentável, proteger e restaurar ecossistemas afetados por atividades humanas. Essas soluções têm potencial para beneficiar a sociedade e a natureza ao mesmo tempo. Por isso, são apontadas como um caminho para lidar com problemas globais associados à </span><b>degradação ambiental</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>emissão de gases de efeito estufa</b><span style="font-weight: 400;"> (GEEs).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As Soluções Baseadas na Natureza (SBN, ou NBS, do inglês </span><i><span style="font-weight: 400;">Nature-Based Solutions</span></i><span style="font-weight: 400;">) são aplicadas tanto no </span><b>campo</b><span style="font-weight: 400;"> como na </span><b>cidade</b><span style="font-weight: 400;"> e são benéficas para a </span><b>biodiversidade</b><span style="font-weight: 400;">, assim como para </span><b>atividades econômicas</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>produtivas</b><span style="font-weight: 400;">. Recentemente, esse tipo de solução tem sido adotada pela indústria como resposta à demanda por mais sustentabilidade, considerando a resolução de problemas enfrentados no âmbito das </span><a href="https://americadosul.iclei.org/as-solucoes-baseadas-na-natureza-sbn-como-alternativa-para-o-planejamento-urbano/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">cidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, indústria, agricultura, entre outros. Nesse sentido, as SBN abrangem, por exemplo, abordagens restaurativas do meio ambiente a fim de proteger regiões de eventos climáticos extremos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São alguns exemplos de Soluções Baseadas na Natureza:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Reuso de água no contexto doméstico ou industrial;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Conservação de mata nativa para evitar erosão de regiões habitadas;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Restauração de ecossistemas e preservação de parques ecológicos para melhora de microclima das cidades;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Áreas verdes para aumentar permeabilidade das cidades e evitar alagamentos;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Conservação da biodiversidade em reservas e habitats naturais para diminuir contato de vetores de doenças com seres humanos;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Tecnologias que mimetizam ou são baseadas em processos naturais a partir do estudo da biodiversidade e sua evolução.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Em suma, as Soluções Baseadas na Natureza fazem a </span><b>conexão entre meio ambiente e comunidades</b><span style="font-weight: 400;">, resolvendo problemas com soluções que se inspiram em processos que já ocorrem. Muitas dessas abordagens também são eficientes em termos de custos, uma vez que já existem previamente na natureza e são redirecionadas para solução de problemas socioeconômicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse uso dos processos naturais para resolução de problemas sociais é apontado por organizações internacionais como uma das alternativas para lidar com questões globais, </span><a href="https://www.worldwildlife.org/stories/what-are-nature-based-solutions-and-how-can-they-help-us-address-the-climate-crisis#:~:text=Nature%2Dbased%20solutions%20are%20based,or%20providing%20increased%20food%20security"><span style="font-weight: 400;">como as mudanças climáticas</span></a><span style="font-weight: 400;">, aumentando a sustentabilidade de diferentes atividades produtivas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Soluções Baseadas na Natureza contra a crise climática no contexto da ONU</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">A noção de que a preservação e o equilíbrio dos ecossistemas pode trazer grandes benefícios à sociedade é um dos pilares das SBN. Pensando nisso, o termo ganhou destaque institucional na </span><b>26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26)</b><span style="font-weight: 400;">, ocorrida em 2019. As SBN foram apontadas pela Cúpula do Clima como </span><b>uma das nove estratégias prioritárias</b><span style="font-weight: 400;"> para enfrentamento das mudanças climáticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://wedocs.unep.org/xmlui/handle/20.500.11822/29705?show=full" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">manifesto</span></a><span style="font-weight: 400;"> produzido como parte das discussões durante a COP26, a ONU classificou as SBN como “</span><b>um componente essencial do esforço mundial para alcançar as metas do Acordo de Paris</b><span style="font-weight: 400;">” e conclamaram as nações a “ampliar as SBN para mitigação, resiliência e adaptação em áreas-chave, garantindo a subsistência das populações em face das ameaças climáticas”. Entre as áreas apontadas pelo documento estão infraestrutura, desenvolvimento sustentável, restauração ambiental e agricultura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da crescente importância do conceito no âmbito da mitigação e adaptação aos efeitos causados pela crise climática, ainda há muito espaço para implementação das SBN por governos e empresas. O </span><a href="https://www.unep.org/pt-br/resources/relatorio-sobre-lacuna-de-adaptacao-2020" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Relatório sobre a Lacuna de Adaptação</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2020 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), indicou que para que as SBN alcancem seu potencial como parte dos esforços para cumprimento do Acordo de Paris, ações mais enérgicas para além de planos e documentos precisam ser tomadas. Isso inclui maior investimento e estímulo à inovação em diferentes áreas como uma das ferramentas para atingir os Objetivos de Desenvolvimentos Sustentável (ODS).</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">As lições da natureza para uma agricultura mais sustentável (e produtiva)</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala em Soluções Baseadas na Natureza no contexto da agricultura, temos um triplo benefício:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Conservação da biodiversidade e dos ecossistemas;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sequestro de carbono e diminuição do impacto ambiental das atividades agrícolas;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Melhora da qualidade de vida e saúde de agricultores e da resiliência das culturas.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, agricultores têm tirado lições da natureza para exercer um cultivo mais sustentável e que não crie mais problemas para a agricultura no futuro, além de melhorar a produtividade ou evitar perdas em diferentes contextos. Um </span><a href="https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fenvs.2021.678367/full"><span style="font-weight: 400;">trabalho publicado</span></a><span style="font-weight: 400;"> na revista científica Frontiers in Environmental Science mapeou, através de uma revisão de mais de 180 outros trabalhos científicos publicados, as principais funções exercidas pelas SBN na agricultura atualmente ou que são foco de pesquisas científicas para futura aplicação. Confira cinco delas a seguir.</span></p>
<h3><span style="font-weight: 400;">1. Práticas sustentáveis</span></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Agricultores que fazem uso de formas de manejo como agricultura regenerativa, agricultura de conservação ou agrofloresta. Na prática, os agricultores utilizam o próprio ecossistema presente, incluindo animais, plantas e microrganismos, além de seus </span><b>serviços ecossistêmicos</b><span style="font-weight: 400;">. Essas práticas incluem a rotação de culturas e o uso da biodiversidade nativa para enriquecer a terra com matéria orgânica e nutrientes.</span></p>
<h3><span style="font-weight: 400;">2. Infraestrutura verde</span></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Uso de determinadas espécies de vegetação, principalmente aquelas com tendência à formação de uma estrutura complexa de raízes, para estabilização de terrenos irregulares e evitar deslizamentos de terra, o que acarretaria em perdas de produtividade. Os autores do estudo apontaram que esse tipo de SBN indica uma perspectiva de “</span><b>design de novos ecossistemas agrícolas</b><span style="font-weight: 400;">”, utilizando recursos naturais para moldar o ambiente em favor da natureza, assim como da produção agropecuária.</span></p>
<h3><span style="font-weight: 400;">3. Fitorremediação</span></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de sua evolução, as plantas encontraram sua própria maneira de restaurar ecossistemas. E é esse aspecto que é explorado em iniciativas de fitorremediação. Algumas dessas iniciativas e estudos utilizam determinadas espécies para dessalinizar solos, recuperar outros contaminados com excesso de pesticidas e até mesmo </span><a href="https://www.mdpi.com/1660-4601/18/5/2435" target="_blank" rel="noopener"><b>extrair metais pesados</b></a><span style="font-weight: 400;">, como o mercúrio, de ambientes contaminados. No futuro, essas características podem ser potencializadas pela ciência para aprofundar o uso da fitorremediação como recurso para restauração de ecossistemas, beneficiando a agricultura assim como a natureza.</span></p>
<h3><span style="font-weight: 400;">4. Biorremediação</span></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das plantas, os microrganismos também têm grande importância na descontaminação e restauração de ecossistemas. De acordo com a pesquisa, esse tipo de abordagem tem sido alvo de diversas patentes depositadas, o que indica uma </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/inovacao-em-microbioma-3-oportunidades-para-o-futuro/" target="_blank" rel="noopener"><b>tendência de inovação</b></a><span style="font-weight: 400;"> por empresas e instituições de pesquisa. Mais especificamente, microrganismos como bactérias, algas, fungos e suas enzimas estão se tornando uma aposta como insumo para desenvolvimento de tecnologias capazes de remover poluentes – como alguns agroquímicos – de solos e rios.</span></p>
<h3><span style="font-weight: 400;">5. Conservação da biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas</span></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma atividade altamente dependente do contexto natural – como clima, solo, vegetação e condições bioquímicas – a agricultura só tem a ganhar com o manejo responsável dos recursos naturais, especialmente no longo prazo. Nesse sentido, a conservação da biodiversidade local por agricultores não tem apenas impacto na produtividade das lavouras, como também tem ganhado consequências positivas mais imediatas, como o reconhecimento e monetização de </span><b>créditos de carbono</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>serviços ecossistêmicos</b><span style="font-weight: 400;">. Apesar desses sistemas de precificação terem muito o que avançar ao redor do mundo, já </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/mercado-de-carbono-brasil-da-primeiros-passos/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">estão se estabelecendo como tendência</span></a><span style="font-weight: 400;"> em diversos países, e a agricultura se mostra como parte essencial do processo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A implementação dessas práticas, entretanto, não vem sem desafios. É preciso maior investimento e engajamento de governos, agricultores e instituições de pesquisa para que as SBN se disseminem na cadeia produtiva de alimentos e agropecuária.</span></p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="font-weight: 400;">Biotecnologia agrícola inspirada pela biodiversidade</span></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme as SBN ganham tração como alternativa para promoção da sustentabilidade na agricultura, </span><b>novas tecnologias a partir de olhares para a natureza também são desenvolvidas</b><span style="font-weight: 400;">. No caso da biotecnologia, cientistas aprendem com a biodiversidade para melhorar tanto a produtividade de plantações quanto sua tolerância a estresses ambientais. Essas inovações de base científico-tecnológica podem se inspirar em microrganismos, processos e genes presentes na natureza para solucionar problemas enfrentados hoje pela agricultura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pesquisadores e instituições como a Symbiomics utilizam ferramentas como a </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/como-a-ciencia-de-dados-esta-transformando-a-microbiologia/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">bioinformática</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/o-que-sao-as-ciencias-omicas/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">genômica</span></a><span style="font-weight: 400;"> e processos como a bioprospecção microbiana para buscar e mapear microrganismos e seus genes com potencial para dar origem a produtos biológicos. Estes, por sua vez, serão capazes de tornar as plantas mais tolerantes à seca e outras adversidades, como aquelas causadas pelos </span><b>eventos climáticos extremos</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As plantas, animais e microrganismos já existem há milhares de anos e desenvolveram diversas estratégias para enfrentar dificuldades para sobreviver. Estratégias essas que devem </span><b>inspirar a humanidade</b><span style="font-weight: 400;"> a desenvolver processos, tecnologias e ferramentas com potencial para auxiliá-la a superar desafios enfrentados hoje e no futuro. </span></p>
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<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Principais referências</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">Simelton, E.; Carew-Reid, J.; Coulier, M.; Damen, B.; Howell, J.; Pottinger-Glass, C.; Van Der Meiren, M. (2021). NBS framework for agricultural landscapes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Front. Environ. Sci.</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://doi.org/10.3389/fenvs.2021.678367" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">https://doi.org/10.3389/fenvs.2021.678367</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tiodar, E. D.; Văcar, C. L.; Podar, D. (2021). Phytoremediation and microorganisms-assisted phytoremediation of mercury-contaminated soils: Challenges and perspectives. </span><i><span style="font-weight: 400;">Int. J. Environ Res. Public Health</span></i> <a href="https://doi.org/10.3390/ijerph18052435" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">https://doi.org/10.3390/ijerph18052435</span></a></p><p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/solucoes-baseadas-na-natureza-definicoes-e-praticas/">Soluções Baseadas na Natureza: definições e práticas</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Bioprospecção microbiana: o que é e qual sua importância?</title>
		<link>https://www.symbiomics.com.br/pt/bioprospeccao-microbiana-o-que-e-e-qual-sua-importancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Symbiomics Team]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Aug 2022 11:33:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[biofertilizante]]></category>
		<category><![CDATA[bioprospecção]]></category>
		<category><![CDATA[biotecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[fertilizante]]></category>
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		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[microbioma]]></category>
		<category><![CDATA[produtos biológicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando se fala em biodiversidade, o que vem primeiro à mente são florestas verdes e densas, com vegetação e animais [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/bioprospeccao-microbiana-o-que-e-e-qual-sua-importancia/">Bioprospecção microbiana: o que é e qual sua importância?</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala em biodiversidade, o que vem primeiro à mente são florestas verdes e densas, com vegetação e animais diversos. Mas, na verdade, os seres mais abundantes do planeta são os microrganismos. Estima-se que haja </span><a href="https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.1521291113" target="_blank" rel="noopener"><b>mais de um trilhão</b></a><span style="font-weight: 400;"> de microrganismos diferentes nos mais diversos ecossistemas no planeta Terra. E cerca de </span><b>99% deles ainda permanecem inexplorados</b><span style="font-weight: 400;"> pelos seres humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><b>bioprospecção microbiana</b><span style="font-weight: 400;"> tem sido colocada em prática para aumentar o conhecimento da ciência sobre a </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/afinal-o-que-e-o-microbioma/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">biodiversidade de microrganismos na natureza</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também como insumo para desenvolvimento de novas biotecnologias. Em resumo, a bioprospecção microbiana consiste em buscar, cultivar, armazenar e conhecer mais a fundo os microrganismos presentes nos diferentes biomas com o objetivo de descobrir seu papel e potencial biotecnológico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem explica esse processo é Mariana Ramos Leandro, Lead Research Scientist da Symbiomics e bióloga molecular com experiência em isolamento de microrganismos promotores de crescimento e de tolerância a estresses ambientais em plantas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Hoje sabemos que a biodiversidade microbiana é riquíssima, principalmente nos biomas brasileiros. Vamos até esses diferentes ambientes e coletamos os microrganismos associados, por exemplo, aos solos”, ela explica. A depender dos </span><b>objetivos da bioprospecção</b><span style="font-weight: 400;">, os pesquisadores podem olhar para solos, animais ou, no caso do desenvolvimento de biotecnologia agrícola, para o microbioma das plantas. As amostras são coletadas e levadas ao laboratório para que os microrganismos sejam cultivados, isolados, identificados e então armazenados em </span><b>coleções microbiológicas</b><span style="font-weight: 400;"> ou </span><b>biobancos</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bioprospecção também pode ser realizada </span><b><i>in silico</i></b><span style="font-weight: 400;">, ou seja, pela </span><b>análise computacional de sequências genômicas</b><span style="font-weight: 400;">. Através dessas análises, pesquisadores buscam associar trechos do DNA microbiano a funções específicas, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento de ferramentas e produtos biotecnológicos. “Isso só é possível devido à grande quantidade de dados que tem sido gerada a partir do sequenciamento de metagenomas e genomas completos de microrganismos e sua análise a partir da </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/como-a-ciencia-de-dados-esta-transformando-a-microbiologia/" target="_blank" rel="noopener"><b>bioinformática</b></a><span style="font-weight: 400;">”, completa Mariana</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prospecção </span><i><span style="font-weight: 400;">in silico</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra como uma estratégia complementar para investigação desses microrganismos devido aos desafios associados ao cultivo de microrganismos selvagens em laboratórios. A maioria demanda ajustes específicos em parâmetros físico-químicos e nutricionais para crescimento, o que demonstra a complexidade envolvida em estudos microbianos dependentes de cultivo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Bioprospecção e isolamento de microrganismos cultiváveis e não cultiváveis</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">Como resultado do processo evolutivo,  os microrganismos apresentam </span><b>interdependências muito específicas</b><span style="font-weight: 400;"> entre as condições de sobrevivência junto a plantas e animais. Condições essas que são desafiadoras e difíceis de serem emuladas em ambientes controlados de laboratório, como uma placa de cultivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cultivo de microrganismos é importante pois permite estudos mais aprofundados em laboratório. Além disso, o sucesso na etapa de cultivo também indica que tais microrganismos podem prosperar em </span><b>condições controladas</b><span style="font-weight: 400;">, demonstrando a </span><b>possibilidade de composição de produtos biotecnológicos</b><span style="font-weight: 400;"> e de seu escalonamento para este fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Os diferentes meios de cultivo, de certa forma, buscam </span><b>mimetizar o ambiente</b><span style="font-weight: 400;"> em que os microrganismos vivem. Assim, conseguimos acessar a maior diversidade microbiana possível. É importante ressaltar, entretanto, que a maior parte dos microrganismos que se encontram em associação com as plantas, por exemplo, são dificilmente cultiváveis. É muito desafiador mimetizar exatamente o que acontece na natureza”, ressalta Mariana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O processo de bioprospecção depende também de </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/o-que-sao-as-ciencias-omicas/" target="_blank" rel="noopener"><b>informações genéticas</b></a><span style="font-weight: 400;"> fornecidas pelo metagenoma. Quando o DNA de toda a comunidade microbiana é analisado, é possível observar uma disparidade significativa entre os microrganismos identificados através do metagenoma e aqueles que se desenvolvem em placas de cultivo no laboratório. A bioinformática permeia todo esse processo, e no caso dos microrganismos não cultiváveis, é ainda mais essencial </span><b>preencher a lacuna deixada pela impossibilidade do cultivo em laboratório</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio enfrentado hoje está em cultivar uma diversidade cada vez maior de microrganismos. “Esse processo de definir as formulações dos meios de cultivo é extremamente importante e é o que determina a dimensão da diversidade e da riqueza de microrganismos que conseguimos acessar”, explica Mariana.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">O potencial biotecnológico da biodiversidade</span></h1>
<p><b>Sobreviver na natureza é estressante</b><span style="font-weight: 400;">. Os desafios variam conforme as condições e biomas e podem incluir seca, calor, escassez de nutrientes, alagamentos, alta salinidade, entre outros fatores. Mas as plantas que compõem a biodiversidade encontraram, ao longo de sua evolução, maneiras de </span><b>tolerar esses estresses</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Como os estudos vêm demonstrando, essas plantas nunca estão sozinhas. Existe um alto potencial do microbioma no auxílio à sobrevivência vegetal nesses ambientes”, coloca Mariana. Comunidades microbianas associadas às espécies vegetais cumprem </span><b>papéis fundamentais em sua sobrevivência</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“De maneira geral, os solos brasileiros sofrem com intemperismo, possuem pH baixo e tendência à precipitação de minerais. Olhar para os ecossistemas brasileiros como janelas de oportunidades é o caminho para desenvolvermos tecnologias que auxiliem a agricultura a enfrentar seus desafios”, explica Mariana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Biomas como a </span><a href="https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/centros-de-pesquisa/biodiversidade-amazonica" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Amazônia</span></a><span style="font-weight: 400;"> – floresta tropical altamente densa e desenvolvida –, por exemplo, escondem em sua biodiversidade uma infinidade de </span><b>genes</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>moléculas</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>mecanismos</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>processos bioquímicos</b><span style="font-weight: 400;"> de grande importância para o desenvolvimento vegetal. Características essas que inspiram o desenvolvimento de tecnologias capazes de transferir tais vantagens para plantas agricultáveis.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Aplicações na agricultura</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas que tipo de tecnologia a bioprospecção microbiana pode gerar na prática? No caso da agricultura, produtos biológicos que auxiliem a </span><b>disponibilização de nutrientes</b><span style="font-weight: 400;"> – os biofertilizantes – são apontados como uma promissora</span> <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/produtos-biologicos-podem-ajudar-o-pais-a-diminuir-a-dependencia-de-fertilizantes-quimicos/" target="_blank" rel="noopener"><b>alternativa ao uso de fertilizantes químicos</b></a><span style="font-weight: 400;">, insumo altamente difundido na agricultura mas cada vez </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/business/valor-de-importacoes-de-fertilizantes-registra-alta-de-178-em-2022-aponta-cna/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">mais custosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de uso </span><a href="https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/875492/impactos-ambientais-causados-pelo-uso-de-fertilizantes-agricolas" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">prejudicial ao meio ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando em excesso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns produtos baseados em microrganismos já são bastante difundidos na agricultura brasileira. Um dos maiores </span><a href="https://agencia.fapesp.br/uso-de-biofertilizantes-na-soja-brasileira-e-destaque-em-publicacao-cientifica/39156/"><span style="font-weight: 400;">casos de sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> são os inoculantes à base de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bradyrhizobium</span></i><span style="font-weight: 400;"> sp. para fixação biológica de nitrogênio (FBN), utilizados em mais de 80% da área plantada de soja no país. No entanto, apesar da alta taxa de adoção para esse tipo de biofertilizante no Brasil, a diversidade dos microbiomas e de suas funções junto a plantas ainda permanece </span><b>pouco explorada no aspecto biotecnológico</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os solos agricultáveis brasileiros têm alta </span><a href="https://blogs.canalrural.com.br/embrapasoja/2021/01/26/fosforo-o-nutriente-que-nao-se-mexe/#:~:text=Os%20solos%20brasileiros%20s%C3%A3o%20carentes,dispon%C3%ADvel%20para%20absor%C3%A7%C3%A3o%20pelas%20plantas." target="_blank" rel="noopener"><b>deficiência de fósforo</b></a><span style="font-weight: 400;">, nutriente essencial para geração de ATP, principal fonte de energia da planta e necessária aos mais diversos aspectos do crescimento vegetal. “O fertilizante fosfatado é muito utilizado na agricultura. Mas quando esse mineral entra em contato com a maioria dos solos brasileiros, grande parte é rapidamente precipitado devido a aspectos físico-químicos particulares, como o pH ácido. Isso causa a indisponibilidade do fósforo para a planta e seu acúmulo no solo e na água”, explica Mariana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, é preciso que os agricultores apliquem </span><a href="https://agencia.fapesp.br/manejo-e-novos-insumos-ajudam-a-reduzir-o-uso-de-fertilizantes-minerais-na-agricultura-brasileira/38185/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">grande quantidade de fertilizantes fosfatados</span></a><span style="font-weight: 400;">, da qual apenas uma pequena parcela é de fato utilizada pelas plantas. Essas práticas causam o acúmulo de nutrientes na natureza, o que vem se tornando um relevante problema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Ainda hoje é muito restrita a utilização de microrganismos. São poucas as espécies microbianas utilizadas na agricultura. Nisso há um grande potencial, que é o descobrimento de novos microrganismos que ainda não são utilizados para fins como disponibilização de nutrientes, mitigação de estresses ambientais e até mesmo como biodefensivos”, finaliza.</span></p>
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		<title>Inovação em microbioma: 3 oportunidades para o futuro</title>
		<link>https://www.symbiomics.com.br/pt/inovacao-em-microbioma-3-oportunidades-para-o-futuro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Symbiomics Team]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2022 13:29:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[microbiologia]]></category>
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		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologias baseadas em microbioma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estima-se que as tecnologias baseadas em microbioma vão movimentar um mercado de mais de US$ 15 bilhões até 2030. Esse [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/inovacao-em-microbioma-3-oportunidades-para-o-futuro/">Inovação em microbioma: 3 oportunidades para o futuro</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Estima-se que as tecnologias baseadas em microbioma vão movimentar um mercado de mais de </span><b>US$ 15 bilhões até 2030</b><span style="font-weight: 400;">. Esse mercado foi de quase US$ 5 milhões em 2020. Trata-se de uma valorização de 150% no valor de mercado do setor em 10 anos. Os dados são da consultoria </span><a href="https://www.prnewswire.com/news-releases/global-microbiome-markets-report-2021-market-is-expected-to-reach-15-55-billion-in-2030--at-a-cagr-of-11-4-301326835.html" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Research and Markets</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa expectativa vem na esteira de </span><b>soluções ambientais, para a saúde humana e agricultura</b><span style="font-weight: 400;"> que estão em aplicação ou sendo desenvolvidas. As inovações em microbioma vêm se tornando uma grande aposta da ciência e da indústria para o futuro, na busca por tecnologias que sejam mais sustentáveis, no caso da agricultura e meio ambiente, e precisas, no caso da medicina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/afinal-o-que-e-o-microbioma/"><b>microbiomas</b></a><span style="font-weight: 400;"> são essenciais para a saúde global, do ambiente e humana. Mas essa importância só vem sendo melhor compreendida pela ciência através de novas ferramentas e conhecimentos, como a </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/o-que-sao-as-ciencias-omicas/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">genômica</span></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/como-a-ciencia-de-dados-esta-transformando-a-microbiologia/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">ciência de dados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o entendimento sobre </span><b>o papel das comunidades microbianas junto aos macrorganismos</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é a partir desse conhecimento que novas tecnologias estão sendo desenvolvidas. Reunimos três potenciais inovações envolvendo tecnologias baseadas em microbioma que estão sendo desenvolvidas atualmente. Confira:</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">1. Monitoramento e sanitização contra patógenos</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><b>pandemia de COVID-19</b><span style="font-weight: 400;">, causada pelo vírus SARS-CoV-2, evidenciou a necessidade de tecnologias que possibilitem o </span><b>monitoramento dos microrganismos</b><span style="font-weight: 400;"> presentes na natureza que tenham potencial para se tornarem </span><b>patogênicos</b><span style="font-weight: 400;"> contra seres humanos, processo conhecido como </span><a href="https://www.comciencia.br/destruicao-de-biomas-contribui-para-surgimento-de-novas-epidemias/" target="_blank" rel="noopener"><i><span style="font-weight: 400;">spillover</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">É provável que o coronavírus que causou a pandemia da COVID-19 tenha </span><a href="https://jornal.usp.br/ciencias/covid-19-como-o-virus-saltou-de-morcegos-para-humanos/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">“pulado” de morcegos para seres humanos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse processo também já resultou em outras doenças infecciosas, como é o caso da raiva e diversos tipos de gripe (influenza).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensando nisso, pesquisadores estão cada vez mais focados em melhorar o monitoramento do microbioma de animais, buscando mapear e acompanhar vírus e outros microrganismos patogênicos com algum potencial de infectar humanos. Um exemplo foi ilustrado por </span><a href="https://jornal.unesp.br/2022/06/23/pesquisadores-mapeiam-areas-com-potencial-para-futuros-surtos-de-doencas-semelhantes-a-covid-19/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">uma pesquisa</span></a><span style="font-weight: 400;">, publicada em abril de 2022, que buscou identificar quais serão as áreas de concentração de 35 espécies de morcegos hospedeiros de vírus semelhantes ao SARS-CoV-2. Com o estudo foi possível projetar que, no futuro, será importante monitorar países como China, Laos, Vietnã e Tailândia, considerando a concentração de espécies de morcegos hospedeiras de </span><b>coronavírus semelhantes ao SARS-CoV-2</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse tipo de iniciativa deve se tornar uma importante ferramenta epidemiológica para monitorar microrganismos com potencial de </span><i><span style="font-weight: 400;">spillover</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o avanço de campos como a </span><span style="font-weight: 400;">metagenômica</span><span style="font-weight: 400;">, será possível identificar patógenos de forma cada vez mais eficiente, associando a </span><b>informação genética</b><span style="font-weight: 400;"> contida no microbioma de animais com sua </span><b>capacidade de causar doenças</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<h2>Ambientes hospitalares</h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, outras iniciativas focam na avaliação do microbioma de ambientes mais específicos, como os </span><b>ambientes</b> <b>hospitalares.</b><span style="font-weight: 400;"> O </span><b>aumento da resistência de bactérias a antibióticos</b><span style="font-weight: 400;"> é um grande problema para o setor da saúde. Essa resistência é causada principalmente pelo </span><b>uso indiscriminado dos antibióticos</b><span style="font-weight: 400;">, o que acaba selecionando cepas mais resistentes de bactérias causadoras de doenças. </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/infeccoes-por-superbacterias-levaram-a-morte-de-12-milhao-de-pessoas-em-2019/#:~:text=A%20publica%C3%A7%C3%A3o%20apontou%20um%20cen%C3%A1rio,infec%C3%A7%C3%B5es%20causadas%20por%20bact%C3%A9rias%20resistentes." target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Mais de 1 milhão de pessoas morrem</span></a><span style="font-weight: 400;"> por ano devido à resistência bacteriana a antibióticos.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para contribuir com alternativas para esse problema, </span><b>sistemas baseados em microbiomas para monitoramento e sanitização de ambientes hospitalares</b> <a href="https://www.mdpi.com/1422-0067/20/7/1535" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">vêm sendo testados</span></a><span style="font-weight: 400;">. O princípio é o seguinte: um microbioma desequilibrado, em que a presença dos diferentes microrganismos está desregulada, é propício para o surgimento de microrganismos resistentes que causem infecções. Quando se conhece esse desequilíbrio </span><b>a nível mais específico</b><span style="font-weight: 400;">, é possível saber em quais locais há maiores chances de proliferação desses patógenos. Além disso, </span><a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30001345/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">produtos de sanitização contendo probióticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> já estão sendo desenvolvidos para modular tais microbiomas, dificultando o surgimento de patógenos nesses </span><b>ambientes</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">2. Alternativas para lidar com o lixo</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida moderna e o desenvolvimento da civilização humana trouxeram consigo um grande problema enfrentado hoje: o acúmulo de lixo e resíduos sólidos. Alguns desses resíduos, como é o caso do </span><b>plástico</b><span style="font-weight: 400;">, podem demorar mais de </span><b>400 anos</b><span style="font-weight: 400;"> para se decompor. Outros materiais, como o alumínio, podem demorar até </span><b>500 anos</b><span style="font-weight: 400;">. Soma-se a essa dificuldade o fato de a humanidade produzir, em média, </span><a href="https://brasil.un.org/pt-br/81186-humanidade-produz-mais-de-2-bilhoes-de-toneladas-de-lixo-por-ano-diz-onu-em-dia-mundial" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">2 bilhões de toneladas de lixo por ano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Só no Brasil, são </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/meio-ambiente/audio/2021-08/80-milhoes-de-toneladas-de-residuos-sao-produzidos-no-pais-cada-ano#:~:text=Publicado%20em%2013%2F08%2F2021,res%C3%ADduos%20produzidos%20a%20cada%20ano." target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">80 milhões de toneladas de resíduos descartados anualmente</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso dos eletrônicos, o descarte vem crescendo nas últimas décadas, tendo atingido globalmente mais de </span><a href="https://www.tonerbuzz.com/blog/e-waste-facts-statistics/"><span style="font-weight: 400;">53 milhões de toneladas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2019. Há diversos metais e </span><b>elementos de difícil decomposição nesse tipo de resíduo</b><span style="font-weight: 400;">. A reciclagem de eletrônicos costuma ser feita através de métodos que permitam a extração de metais para composição de outros produtos. Para isso, o lixo eletrônico é aquecido a mais de 1.000ºC ou ácidos são utilizados para sua degradação. Em ambos os casos, há a geração de </span><b>subprodutos prejudiciais ao meio ambiente</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é por isso que cientistas estão interessados em bactérias que têm a capacidade de produzir </span><a href="https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.1820329116#sec-1" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">químicos eficientes para quebra de metais como cobre e ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse tipo de processo é denominado “</span><a href="https://www.cietec.org.br/riquezas-a-serem-catalisadas/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">biolixiviação</span></a><span style="font-weight: 400;">” e já está presente nas atividades de mineração, em que microrganismos são utilizados para </span><b>extrair metais de minérios brutos</b><span style="font-weight: 400;">. Essas tecnologias </span><a href="https://tecnologiammm.com.br/doi/10.4322/2176-1523.1205" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">vêm sendo desenvolvidas nos últimos anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e no futuro podem se traduzir em novas opções para reciclagem do lixo eletrônico de forma mais sustentável, já que não geram subprodutos como os métodos tradicionais de extração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com relação aos plásticos, pesquisadores também buscam alternativas a partir de </span><a href="https://www.labiotech.eu/in-depth/bioplastics-2019-feature/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">enzimas presentes em microrganismos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><b>degradam os polímeros</b><span style="font-weight: 400;"> que compõem o material, facilitando sua reciclagem e aumentando a sustentabilidade do processo. O problema, entretanto, é que existem diferentes tipos de plásticos e, para isso, são necessárias </span><a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2666790821000434#:~:text=Cutinase%2C%20Lipase%20and%20PETase%20(an,et%20al.%2C%201977)." target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">diferentes enzimas com a capacidade de quebrar as cadeias de polímeros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Caso essas inovações se concretizem, também será possível </span><a href="https://www.technologyreview.com/2021/10/06/1036571/carbios-enzymes-recycle-plastics-pet/#:~:text=Carbios%20has%20been%20developing%20enzymatic,together%20to%20make%20new%20plastics." target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">reciclar materiais que não podem ser reciclados pelos processos mecânicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, como é o caso das roupas de material sintético.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">3. Nova geração de produtos biológicos para a agricultura</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">Os produtos biológicos – ou bioinsumos – contendo microrganismos não são uma invenção nova. O Brasil, por exemplo, já utiliza bactérias do gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">Bradyrhizobium</span></i><span style="font-weight: 400;"> na cultura da soja desde a década de 1970, com o objetivo de favorecer a </span><a href="https://www.embrapa.br/tema-fixacao-biologica-de-nitrogenio" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">fixação biológica de nitrogênio (FBN)</span></a><span style="font-weight: 400;">. Hoje, 79% das plantações brasileiras de soja são tratadas com tais bactérias noduladoras, de acordo com a Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII). Mas o avanço do conhecimento científico sobre os microbiomas, sua diversidade e funções junto às plantas demonstra que ainda existe potencial para </span><b>uma nova geração de produtos biológicos</b><span style="font-weight: 400;">, mais eficiente e que confira vantagens mais complexas a cultivares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estudos recentes utilizando técnicas avançadas de </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/como-a-ciencia-de-dados-esta-transformando-a-microbiologia/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">sequenciamento genético e computação</span></a><span style="font-weight: 400;"> têm demonstrado que o microbioma tem </span><b>impacto direto na produtividade vegetal</b><span style="font-weight: 400;">. Bactérias e fungos, por exemplo, são responsáveis por fornecer nutrientes para as plantas (como nitrogênio, fósforo e metais) e auxiliar na obtenção de água. Alguns microrganismos são capazes de produzir substâncias que </span><b>aumentam a tolerância das plantas</b><span style="font-weight: 400;"> frente a condições estressantes como seca, garantindo a manutenção da produtividade mesmo em condições desfavoráveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando consideramos questões como as </span><b>mudanças climáticas</b><span style="font-weight: 400;">, os microbiomas escondem um enorme potencial ao oferecer soluções que já existem na natureza para tornar as culturas mais tolerantes a estresses ambientais como seca, calor, entre outros. Para desvendar esse </span><b>tesouro genético</b><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/54173860/novos-microrganismos-de-interesse-economico-sao-encontrados-em-rios-amazonicos" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">a ciência está buscando nos biomas naturais</span></a><span style="font-weight: 400;"> microrganismos desconhecidos, seus genes e moléculas que possam ser a base de </span><b>novos produtos biológicos</b><span style="font-weight: 400;"> no futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há ainda os microrganismos que produzem moléculas que auxiliam na </span><b>defesa contra patógenos e pragas</b><span style="font-weight: 400;">, podendo ser utilizados em substituição aos químicos comumente aplicados na lavoura. Nesse sentido, tecnologias baseadas em microbioma podem ser usadas para </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/produtos-biologicos-podem-ajudar-o-pais-a-diminuir-a-dependencia-de-fertilizantes-quimicos/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">diminuir o uso de fertilizantes e defensivos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Considerando a toxicidade no excesso de uso de agroquímicos para a </span><a href="https://summitagro.estadao.com.br/saude-no-campo/agrotoxicos-da-agricultura-moderna-e-seus-impactos-no-meio-ambiente/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">saúde ambiental</span></a><span style="font-weight: 400;"> e humana, esse talvez seja um dos grandes potenciais de produtos biológicos para promover a sustentabilidade na agricultura.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Principais referências</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">Caselli, E.; Brusaferro, S.; Coccagna, M.; Arnoldo, L.; Berloco, F.; Antonioli, P.; Tarricone, R.; Pelissero, G.; Nola, S.; La Fauci, V.; Conte, A.; Tognon, L.; Villone, G.; Trua, N.; Mazzacane, S. Reducing healthcare-associated infections incidence by a probiotic-based sanitation system: A multicentre, prospective, intervention study. <em>PLoS One</em>. (2018). <a href="https://doi.org/10.1371/journal.pone.0199616" target="_blank" rel="noopener">https://doi.org/10.1371/journal.pone.0199616</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">D’Accolti, M.; Soffritti, I.; Mazzacane, S.; Caselli, E. Fighting AMR in the healthcare environment: Microbiome-based sanitation approaches and monitoring tools. </span><i><span style="font-weight: 400;">Int. J. Mol. Sci.</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2019). <a href="https://doi.org/10.3390/ijms20071535" target="_blank" rel="noopener">https://doi.org/10.3390/ijms20071535</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muylaert, R. L.; Kingston T.; Luo, J.; Vancine, M. H.; Galli, N.; Carlson, C. J., John, S.; Rulli, M. C.; Hayman D. T. S. Present and future distribution of bat hosts of sarbecoviruses: Implications for conservation and public health. </span><i><span style="font-weight: 400;">Proc. R. Soc. B.</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2022). <a href="http://doi.org/10.1098/rspb.2022.0397" target="_blank" rel="noopener">http://doi.org/10.1098/rspb.2022.0397</a></span></p><p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/inovacao-em-microbioma-3-oportunidades-para-o-futuro/">Inovação em microbioma: 3 oportunidades para o futuro</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Mercado de carbono: Brasil dá primeiros passos</title>
		<link>https://www.symbiomics.com.br/pt/mercado-de-carbono-brasil-da-primeiros-passos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Symbiomics Team]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 19:07:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[mercado de carbono]]></category>
		<category><![CDATA[sequestro de carbono]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Governo Federal publicou na noite do dia 19 de maio em uma edição especial do Diário Oficial da União, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O Governo Federal publicou </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-05/decreto-regulamenta-mercado-de-carbono" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">na noite do dia 19 de maio</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma edição especial do Diário Oficial da União, o </span><a href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-11.075-de-19-de-maio-de-2022-401425370" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">decreto 11.075</span></a><span style="font-weight: 400;"> que regulamenta o </span><b>mercado de créditos no carbono</b><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Mas o que isso quer dizer?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A medida foi publicada após anúncio do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, no </span><a href="https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2022/05/16/congresso-vai-reunir-liderancas-para-discutir-mercado-de-creditos-de-carbono-no-brasil.ghtml" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Congresso Mercado Mundial de Carbono</span></a><span style="font-weight: 400;">, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 18 e 20 de maio. O decreto atende à legislação que instituiu, em 2009, a </span><b>Política Nacional sobre Mudança do Clima</b><span style="font-weight: 400;">, que atribui ao poder executivo a responsabilidade de formular normas e processos para consolidação de uma economia de baixo carbono.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com o Governo, o objetivo do decreto é </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/05/19/governo-edita-decreto-que-regulamenta-mercado-de-creditos-de-carbono-no-brasil.ghtml" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">possibilitar a exportação de créditos</span></a><span style="font-weight: 400;"> para empresas e países que precisam cumprir metas de neutralidade de emissão de carbono. E estabelece as bases do que pode ser, no futuro, um mercado de créditos de carbono consolidado no Brasil. Para isso, a medida cria o </span><b>Sistema Nacional de Redução de Gases de Efeito Estufa (Sinare)</b><span style="font-weight: 400;">, que deve centralizar os processos de comercialização e transferência de créditos de carbono.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na prática, o decreto brasileiro é um avanço no sentido de </span><b>estabelecer a fundação de um mercado carbono e políticas setoriais de redução de emissão de gases de efeito de estufa (GEE)</b><span style="font-weight: 400;">, mas ainda deixa muitas lacunas e atribui responsabilidades e definições a órgãos como os Ministérios da Economia e Meio Ambiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto </span><a href="https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/10/02/resolucao-sobre-credito-de-carbono-divide-especialistas.ghtml" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">dividiu especialistas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que apontam ser </span><b>insuficiente</b><span style="font-weight: 400;"> para criar um mercado nos níveis do que já existe no âmbito internacional. Outros dizem que, apesar das lacunas, trata-se de um avanço, considerando que o país </span><b>aguarda há anos por uma discussão madura</b><span style="font-weight: 400;"> sobre regulação e comercialização de créditos de carbono e a pauta das </span><b>mudanças climáticas</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao que tudo aponta, a consolidação desse mercado no Brasil ainda tem um longo caminho pela frente. “Como fazer um projeto de crédito de carbono com uma linha de base setorial, tal como prevê o decreto? Esse é um desafio técnico que trará uma discussão longa e com muito desgaste político”, afirmou Ronaldo Seroa da Motta, professor da UERJ, </span><a href="https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2022/05/30/decreto-que-regula-creditos-de-carbono-divide-opinioes.ghtml" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">em entrevista ao jornal Valor Econômico</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro fato que aponta para uma </span><b>possível complexidade da discussão</b><span style="font-weight: 400;"> no futuro é o avanço na Câmara dos Deputados do </span><a href="https://www.camara.leg.br/propostas-legislativas/2237082" target="_blank" rel="noopener"><b>projeto de lei 290/2020</b></a><span style="font-weight: 400;">, que também institui normas para o mercado brasileiro de comercialização de créditos. No início deste ano o projeto iniciou a </span><a href="https://www.camara.leg.br/noticias/848104-projeto-que-regulamenta-mercado-de-carbono-esta-pronto-para-ser-votado-no-plenario/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">tramitação em regime de urgência</span></a><span style="font-weight: 400;"> para votação na Câmara. Se aprovado, o decreto do Governo Federal deverá </span><b>sofrer adaptações</b><span style="font-weight: 400;"> para conciliar ambos os textos. </span></p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Até onde vai o decreto</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto publicado no Diário Oficial da União inaugura e define na legislação brasileira conceitos como </span><b>crédito de carbono</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>crédito de metano</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>crédito certificado de redução de emissões</b><span style="font-weight: 400;"> – este último se referindo aos créditos registrados e oficializados no Sinare.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com o texto, essas políticas e regulamentações são elegíveis e devem ser aplicadas a </span><b>setores específicos</b><span style="font-weight: 400;">, no âmbito dos </span><b>Planos Setoriais de Mitigação das Mudanças Climáticas</b><span style="font-weight: 400;">. Cada um dos setores definidos em lei devem ter uma meta específica para redução de gases de efeito estufa, a serem definidas futuramente em conjunto com representantes e um Comitê Interministerial sobre Mudanças Climáticas – composto principalmente pelos Ministérios da Economia e Meio Ambiente. Os setores definidos são:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Geração e distribuição de energia elétrica;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Transporte público urbano e sistemas modais de transporte interestadual de cargas e passageiros;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Indústria de transformação;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Indústria de bens de consumo duráveis;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Indústrias de químicas fina e de base;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Indústria de papel e celulose;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Mineração;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Indústria de construção civil;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Serviços de saúde;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Agropecuária.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de definir </span><b>conceitos</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>sistemas</b><span style="font-weight: 400;"> e alguns </span><b>processos</b><span style="font-weight: 400;">, o texto não esclarece </span><b>como tais metas serão monitoradas</b><span style="font-weight: 400;">, como isso se traduzirá no </span><b>âmbito das empresas</b><span style="font-weight: 400;"> ou quais serão as </span><b>medidas em caso de não cumprimento</b><span style="font-weight: 400;">. Mesmo assim, trata-se de um passo no sentido de amadurecer a legislação brasileira sobre redução de emissões de gases de efeito estufa e de estabelecer ferramentas para o cumprimento de metas, como é o caso mercado de créditos de carbono.</span></p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Mercado de carbono regulado e voluntário</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao redor do mundo, existem duas formas de mercados de carbono: os </span><b>regulados</b><span style="font-weight: 400;"> e os </span><b>voluntários</b><span style="font-weight: 400;">. No caso dos regulados, a precificação do carbono ocorre pela taxação, pelo governo, por tonelada de carbono emitida pelas empresas ou então através dos sistemas de comércio de emissões, chamados </span><a href="https://www.capitalreset.com/o-que-voce-precisa-saber-para-comecar-a-entender-o-mercado-de-carbono/" target="_blank" rel="noopener"><i><span style="font-weight: 400;">cap and trade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que metas são estabelecidas para setores e empresas. Quando superam o limite de emissão de carbono, essas instituições podem comprar créditos de outras que tenham emitido menos do que o limite definido. </span><b>O decreto governamental aponta para o segundo modelo</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no caso do mercado voluntário, as empresas e países </span><b>definem suas próprias metas</b><span style="font-weight: 400;"> e para cumpri-las podem adquirir créditos, atestando, assim, aos clientes e à sociedade civil seu compromisso com a </span><b>redução da emissão de GEEs</b><span style="font-weight: 400;">. Em ambos os casos – regulado e voluntário –, os créditos </span><b>devem ser certificados</b><span style="font-weight: 400;"> por sistemas governamentais ou agências independentes para atestar que representam, de fato, redução nas emissões de carbono.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2021, as</span><b> iniciativas reguladas de precificação do carbono</b><span style="font-weight: 400;"> movimentaram cerca de </span><b>US$ 84 bilhões</b><span style="font-weight: 400;">, um crescimento de 60% em relação ao ano anterior, de acordo com </span><a href="https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/37455"><span style="font-weight: 400;">dados do Banco Mundial</span></a><span style="font-weight: 400;">. O mercado já cobre cerca de </span><b>23% de todas as emissões de gases de efeito estufa</b><span style="font-weight: 400;"> no planeta. E esses números vêm crescendo ano a ano. No caso do mercado voluntário, </span><a href="https://www.mckinsey.com/business-functions/sustainability/our-insights/a-blueprint-for-scaling-voluntary-carbon-markets-to-meet-the-climate-challenge"><span style="font-weight: 400;">estimativas apontam</span></a><span style="font-weight: 400;"> que este pode chegar a movimentar </span><b>US$ 50 bilhões em 2030</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<h2>Mercado global</h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro importante aspecto para contextualizar as movimentações brasileiras pelos créditos nacionais foi o estabelecimento de um</span><b> mercado global de carbono</b><span style="font-weight: 400;"> durante a 26ª Conferência das das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26), ocorrida na Escócia em 2021. A reunião definiu que pelo mercado global será possível que </span><b>países negociem créditos entre si</b><span style="font-weight: 400;">, a fim de atingir metas nacionais estabelecidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://exame.com/negocios/mercado-de-carbono-criado-cop26-tem-documento-final/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">decisão oficializa</span></a><span style="font-weight: 400;"> cláusulas do Acordo de Paris estabelecido em 2016, também no âmbito da ONU, com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aumento médio da temperatura global a 2°C. O mercado global de carbono é mais um mecanismo para atingir esse objetivo.</span></p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Tecnologias para sequestro de carbono</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">As mudanças climáticas antropogênicas são causadas pelo acelerado desenvolvimento da civilização humana, ainda que a natureza sempre tenha tido seus próprios mecanismos para manter o equilíbrio dos diferentes ecossistemas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Florestamento e reflorestamento, uso de bioenergia, transição energética para fontes mais limpas – como eólica e solar –, adoção de agrofloresta, entre outras, são práticas alternativas, apontadas como “simples” e “naturais”, para reduzir as emissões de carbono na atmosfera. As </span><b>florestas</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>oceanos</b><span style="font-weight: 400;"> são grandes maquinários capazes de sequestrar toneladas de carbono e apenas o ato de preservá-los já representa uma remoção considerável de CO₂ da atmosfera.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das movimentações geopolíticas para frear a crise climática, diversos setores tomaram a responsabilidade para si no sentido de desenvolver mecanismos e processos que reduzam as emissões de GEEs e promovam a </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/produtos-biologicos-podem-ajudar-o-pais-a-diminuir-a-dependencia-de-fertilizantes-quimicos/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">sustentabilidade nas atividades produtivas</span></a><span style="font-weight: 400;">. É o caso das tecnologias para sequestro de carbono, ou seja, que agem para </span><b>remover o carbono presente na atmosfera</b><span style="font-weight: 400;">, seja diretamente do ar ou do </span><a href="https://epocanegocios.globo.com/Um-So-Planeta/noticia/2021/05/o-homem-que-empresas-procuram-quando-querem-capturar-carbono.html" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">ponto de emissão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Muitas das tecnologias hoje desenvolvidas nesse sentido são conhecidas por </span><b>soluções baseadas na natureza </b><span style="font-weight: 400;">(ou </span><i><span style="font-weight: 400;">nature-based solutions</span></i><span style="font-weight: 400;">, em inglês).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas será possível que no futuro tenhamos tecnologias que </span><b>sequestram o carbono diretamente do ar</b><span style="font-weight: 400;">? Empresas e instituições de pesquisa estão se inspirando nos processos e estratégias que ocorrem na natureza para desenvolver tecnologias que contribuam para </span><b>sequestro de GEEs</b><span style="font-weight: 400;">,</span><b> assim como fazem as florestas e oceanos</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de </span><a href="https://mittechreview.com.br/onu-deposita-esperancas-em-tecnologias-de-remocao-de-carbono-que-quase-nao-existem/" target="_blank" rel="noopener"><b>ainda raras e de se encontrarem em desenvolvimento</b></a><span style="font-weight: 400;">, essas tecnologias têm grande potencial para contribuir com a tarefa árdua de diminuir as emissões de carbono no futuro – e até mesmo torná-las negativas em determinados contextos.</span></p><p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/mercado-de-carbono-brasil-da-primeiros-passos/">Mercado de carbono: Brasil dá primeiros passos</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>O que são as Ciências Ômicas?</title>
		<link>https://www.symbiomics.com.br/pt/o-que-sao-as-ciencias-omicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Symbiomics Team]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jun 2022 19:20:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[bioinformática]]></category>
		<category><![CDATA[DNA]]></category>
		<category><![CDATA[genômica]]></category>
		<category><![CDATA[microbiologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos últimos anos, as chamadas Ciências Ômicas (áreas de estudo cujos nomes terminam com “-ômica”, ou “-omics”, do inglês) se [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/o-que-sao-as-ciencias-omicas/">O que são as Ciências Ômicas?</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, as chamadas <strong>Ciências Ômicas</strong> (áreas de estudo cujos nomes terminam com “-ômica”, ou “-</span><i><span style="font-weight: 400;">omics</span></i><span style="font-weight: 400;">”, do inglês) se tornaram proeminentes dentro da Biologia como uma nova fase dos estudos sobre a genética dos seres vivos. Atualmente esses campos de conhecimento <strong>estão se expandindo de forma acelerada</strong> e novas vertentes surgem a todo momento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As ômicas – entre elas a genômica, a transcriptômica, a metagenômica, a proteômica e a metabolômica – surgiram com a integração de grandes volumes de dados aos estudos das ciências biológicas sobre o DNA. Nesse sentido, </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/como-a-ciencia-de-dados-esta-transformando-a-microbiologia/" target="_blank" rel="noopener"><b>bioinformática</b></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/como-a-ciencia-de-dados-esta-transformando-a-microbiologia/" target="_blank" rel="noopener"><b>biologia computacional</b></a><span style="font-weight: 400;"> estão intimamente relacionadas às Ciências Ômicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos estudos sobre os microrganismos, </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/afinal-o-que-e-o-microbioma/" target="_blank" rel="noopener"><b>microbiomas</b></a><span style="font-weight: 400;"> e suas relações com hospedeiros e ambientes, as Ciências Ômicas são imprescindíveis. Para entender as funções de comunidades complexas de microrganismos junto a plantas – e, consequentemente, o papel funcional de seus genes –, a análise de grandes volumes de dados genômicos é essencial. Só assim é possível desenvolver <strong>produtos biológicos</strong> efetivos, seguros, escalonáveis e que tenham efeitos positivos em sua aplicação, inclusive na agricultura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conheça a seguir um pouco mais sobre algumas das Ciências Ômicas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Genômica</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Compreendem os estudos de toda informação hereditária de um organismo, codificada em seu DNA e transcrita em seu RNA, incluindo sequência de nucleotídeos, mapeamento de genes e funções. Trata-se de campos que se expandiram muito nas últimas décadas, impulsionados pelas </span><b>novas tecnologias de sequenciamento genético </b><span style="font-weight: 400;">e de</span><b> análise de dados</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genômica foi a primeira que surgiu entre as Ciências Ômicas, concebida pelo avanço das tecnologias de sequenciamento a partir da década de 1970. Outro marco importante para a genômica foi a criação de </span><a href="https://profissaobiotec.com.br/historia-do-sequenciamento-de-dna-ao-infinito-e-alem/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">máquinas para sequenciamento automático de DNA</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que acelerou muito o processo de mapeamento do genoma. Tais avanços também impulsionaram o Projeto Genoma Humano, uma iniciativa internacional surgida em 1990 e finalizada em 2003 – com as últimas conclusões publicadas ainda recentemente, </span><a href="https://www.science.org/doi/10.1126/science.abj6987" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">em março de 2022, na revista Science</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, dando início a diversas outras iniciativas de sequenciamento de DNA. É o caso do Projeto Microbioma Humano, que se propôs a sequenciar e mapear todos os microrganismos que habitam os diferentes órgãos e tecidos humanos. </span><a href="https://veja.abril.com.br/ciencia/cientistas-completam-mapeamento-do-microbioma-humano/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">O projeto foi finalizado em 2016</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<h3><b>Edição genômica</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Não apenas o conhecimento sobre os genomas se expandiu, mas também a </span><b>capacidade de manipulação do código genético</b><span style="font-weight: 400;">. A edição genômica através de CRISPR (do inglês </span><i><span style="font-weight: 400;">clustered regularly interspaced short palindromic repeats</span></i><span style="font-weight: 400;">) já permite, entre outras aplicações, o desenvolvimento de plantas que apresentam maior produtividade ou tolerância a estresses ambientais. E o Brasil é pioneiro nesse sentido: em 2021, cientistas da Embrapa anunciaram o desenvolvimento da </span><a href="https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/66969890/ciencia-brasileira-desenvolve-primeira-cana-editada-nao-transgenica-do-mundo" target="_blank" rel="noopener"><b>primeira cana-de-açúcar editada do mundo</b></a><span style="font-weight: 400;">, com maior concentração de sacarose nos tecidos vegetais, facilitando a produção de etanol e outros produtos, sem DNA exógeno à planta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A técnica de edição genômica foi reconhecida como uma das grandes descobertas científicas do século, inaugurando uma nova fase da engenharia genética. O desenvolvimento da edição genômica por CRISPR rendeu às pesquisadoras Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna o </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/10/07/nobel-de-quimica-2020-vai-para-emmanuelle-charpentier-e-jennifer-a-doudna.ghtml" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Química de 2020</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure style="width: 876px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2021/12/211214_CanasFlexCrispr_Flex-1.jpg?w=876&amp;h=484&amp;crop=1" alt="canas editadas pela emprapa" width="876" height="484" /><figcaption class="wp-caption-text">Campo de fenotipagem de canas-de-açúcar editadas por pesquisadores da Embrapa Agroenergia. As variedades são denominadas Cana Flex I e Cana Flex II. (Foto: Hugo Molinari/Embrapa)</figcaption></figure>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Transcriptômica</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><b>transcriptômica</b><span style="font-weight: 400;"> se dedica ao estudo da transcrição do código genético. O RNA nada mais é do que a </span><b>versão transcrita do DNA</b><span style="font-weight: 400;"> e age como </span><b>molde para síntese das proteínas</b><span style="font-weight: 400;"> que compõem os diferentes órgãos, tecidos e moléculas de um organismo. Por isso, muitas das pesquisas que envolvem transcriptômica são voltadas para o entendimento de como variações em sequências de DNA impactam a expressão gênica. Ou seja, uma vez que a informação presente no código genético é traduzida por fim em proteínas, </span><b>como a transcrição de DNA em RNA influencia o funcionamento de um organismo</b><span style="font-weight: 400;">. Os estudos em transcriptômica podem envolver as diversas classes de RNA, como é o caso dos RNAs mensageiros (mRNAs) e microRNAs (miRNAs).</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Metagenômica e metatranscriptômica</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Metagenômica e metatranscriptômica são, respectivamente, as análises do código genético (DNA) e de sua transcrição (RNA) a partir de amostras ambientais, contemplando todos os organismos ali localizados. Muito utilizada no estudo dos microbiomas, a metagenômica consiste em decifrar a “sopa” genética formada por diferentes organismos habitantes de um mesmo ecossistema e por seus genes. Essa abordagem provê valiosos conhecimentos sobre semelhanças e diferenças genéticas entre os microrganismos, bem como sobre suas funções junto a outros seres vivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antigamente, o estudo dos microrganismos era essencialmente restrito a culturas axênicas (ou seja, puras), obtidas a partir de metodologias para isolamento microbiano em meios de cultivo. Mas não foi até a década de 1990 que o </span><b>sequenciamento total de amostras ambientais</b><span style="font-weight: 400;"> se tornou uma possibilidade. A </span><b>metagenômica</b><span style="font-weight: 400;"> surgiu como uma importante ferramenta para entender e caracterizar a presença e diversidade de comunidades microbianas em ambientes ou hospedeiros. Conhecida também como genômica ambiental, a metagenômica é muito utilizada para investigar o microbioma humano, entendendo suas características, relações com doenças e também como ferramenta para a </span><a href="https://www.ipea.gov.br/cts/pt/central-de-conteudo/artigos/artigos/95-medicina-de-precisao-o-que-e-e-que-beneficios-traz" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">medicina de precisão</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Proteômica e metaproteômica</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo um passo além, a proteômica é um termo guarda-chuva para o estudo – identificação e caracterização – das proteínas presentes em um organismos, ou no caso da </span><a href="https://journals.asm.org/doi/10.1128/mSystems.00115-19#:~:text=Metaproteomics%20is%20the%20large%2Dscale,microorganisms%20on%20the%20molecular%20level."><span style="font-weight: 400;">metaproteômica</span></a><span style="font-weight: 400;">, comunidades de microrganismos. Com a metaproteômica de solos, por exemplo, é possível identificar proteínas acumuladas por organismos, permitindo a caracterização das funções bioquímicas presentes em um ambiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><b>metaproteômica</b><span style="font-weight: 400;"> viabiliza a investigação das comunidades microbianas no que se refere aos produtos gênicos, contribuindo particularmente para o entendimento sobre o </span><b>conjunto de proteínas produzidas por um organismo</b><span style="font-weight: 400;">. Esse tipo de abordagem também já permite análises aprofundadas dos microbiomas, possibilitando a investigação das interações entre diferentes microrganismos e </span><b>caracterização de sua </b><a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10096-016-2816-4" target="_blank" rel="noopener"><b>fisiologia</b></a><span style="font-weight: 400;"> e metabolismo – este último, alvo de estudo da metabolômica.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Metabolômica</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A metabolômica é a abordagem utilizada para identificar o resultado de vias e processos metabólicos, associando atividades de pequenas moléculas que atuam no interior das células, tecidos e órgãos – os metabólitos – à resposta a alterações em sistemas biológicos. Essa análise pode ser realizada em organismos complexos, como seres humanos, ou em comunidades de microrganismos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><b>metabolômica aplicada aos microrganismos</b><span style="font-weight: 400;"> é uma área recente, mas que tem potencial para diversas aplicações, considerando o papel dos microbiomas na modulação do metabolismo de outros organismos, como as plantas. Trata-se de um campo que vem se estabelecendo nos últimos anos e está na ponta final das análises de subprodutos pesquisados pelas “ômicas” – seguindo o fluxo de informações do código genético, compreendido por DNA, RNA, proteínas e metabólitos. As </span><b>análises metabolômicas</b><span style="font-weight: 400;"> são frequentemente combinadas com outras Ciências Ômicas, como a transcriptômica, para geração de dados mais robustos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Multiômicas</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A junção de duas ou mais dessas áreas é denominada de </span><a href="https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fgene.2020.610798/full"><b>multiômica</b></a><span style="font-weight: 400;">, considerando a importância da </span><b>multidisciplinaridade entre os campos de conhecimento</b><span style="font-weight: 400;"> e o </span><b>grande volume de dados</b><span style="font-weight: 400;"> necessário para </span><i><span style="font-weight: 400;">insights</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre o funcionamento de sistemas biológicos a partir de seu código genético, composição bioquímica e estímulos ambientais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As multiômicas têm sido apontadas como parte do caminho para o futuro da biotecnologia, seja em aplicações para a saúde humana, agricultura ou até mesmo para o meio ambiente. A combinação dessas áreas é o que há de mais avançado dentro da Biologia e possibilita uma visão ampla e mais precisa dos processos biológicos, suas causas e resultados. Essas análises andam de mãos dadas com campos como a </span><b>ciência de dados</b><span style="font-weight: 400;"> e a </span><b>bioinformática</b><span style="font-weight: 400;">, devido aos grandes volumes de dados gerados a partir das “ômicas”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do constante desenvolvimento necessário em todas essas vertentes de pesquisa, já é possível vislumbrar </span><b>grandes aplicações biotecnológicas</b><span style="font-weight: 400;"> a partir das Ciências Ômicas. No caso da agricultura, o desenvolvimento de </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/produtos-biologicos-podem-ajudar-o-pais-a-diminuir-a-dependencia-de-fertilizantes-quimicos/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">produtos biológicos de nova geração</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outras tecnologias baseadas em microbioma é altamente dependente do conhecimento gerado a partir das análises “ômicas”.</span></p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
<h1><b>Principais referências</b></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">Krassowski, M.; Das, V.; Sahu, S. K.; Misra, B. B. State of the field in multi-omics research: From computational needs to data mining and sharing. <em>Front Genet.</em> (2020). <a href="https://doi.org/10.3389/fgene.2020.610798" target="_blank" rel="noopener">https://doi.org/10.3389/fgene.2020.610798</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kleiner, M. Metaproteomics: Much more than measuring gene expression in microbial communities. <em>MSystems</em> (2019). <a href="https://doi.org/10.1128/msystems.00115-19" target="_blank" rel="noopener">https://doi.org/10.1128/msystems.00115-19</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rochfort, S. Metabolomics reviewed: A new “omics” platform technology for systems biology and implications for natural products research.<em> J. Nat. Prod.</em> (2005). <a href="https://doi.org/10.1021/np050255w" target="_blank" rel="noopener">https://doi.org/10.1021/np050255w</a></span></p><p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/o-que-sao-as-ciencias-omicas/">O que são as Ciências Ômicas?</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Como a ciência de dados está transformando a microbiologia</title>
		<link>https://www.symbiomics.com.br/pt/como-a-ciencia-de-dados-esta-transformando-a-microbiologia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Symbiomics Team]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2022 18:38:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[bioinformática]]></category>
		<category><![CDATA[ciência de dados]]></category>
		<category><![CDATA[microbiologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ciência de dados, biologia computacional, bioinformática: já faz alguns anos que a Biologia anda de mãos dadas com a geração [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Ciência de dados, biologia computacional, bioinformática</b><span style="font-weight: 400;">: já faz alguns anos que a Biologia anda de mãos dadas com a geração e análise de grandes volumes de dados. Cada vez mais a ciência entende o código genético como algo a ser digitalmente processado e esse avanço tem gerado novos caminhos e entendimentos sobre o impacto do DNA nas características e papéis dos seres vivos frente aos ecossistemas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso do <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/afinal-o-que-e-o-microbioma/" target="_blank" rel="noopener">microbioma</a>, vem crescendo a visão sobre seu </span><a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S095816692100149X?via%3Dihub" target="_blank" rel="noopener"><b>caráter sistêmico</b></a><span style="font-weight: 400;">, em que microrganismos estão integrados entre si e a hospedeiros e ambientes, em um emaranhado genético resultante da coevolução e dependência para sobrevivência. Essa perspectiva também tem impulsionado o desenvolvimento de produtos biológicos que consideram a complexidade dos </span><b>microbiomas</b><span style="font-weight: 400;"> e seu potencial para originar novas e inovadoras tecnologias para a </span><b>agricultura</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>medicina</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender melhor sobre as transformações pelas quais a Microbiologia tem passado nos últimos anos, <strong>Crhisllane Vasconcelos</strong>, </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/equipe/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Lead Data Scientist da Symbiomics</span></a><span style="font-weight: 400;">, respondeu a algumas perguntas sobre como a genômica, a bioinformática e a análise de dados estão transformando o que entendemos sobre os microrganismos e suas aplicações biotecnológicas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<h5><b>A visão sobre a microbiologia mudou muito nos últimos anos. O que a genômica tem a ver com isso?</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Os pioneiros da microbiologia utilizavam fontes de nutrientes sólidas para isolar e identificar os microrganismos. Essa é uma frase bonita para dizer que </span><a href="https://www.melbecmicrobiology.co.uk/2018/09/26/304/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">tudo começou</span></a><span style="font-weight: 400;"> com cultivo de bactérias em fatias de batatas ou gelatinas, o que permite visualizar e contar colônias desses organismos. Essas técnicas de isolamento foram aprimoradas e são utilizadas até hoje na microbiologia. Por quase 300 anos, o estudo dos microrganismos foi realizado através de características morfológicas e da seleção de alguns perfis bioquímicos, algo que só mudou com o surgimento dos <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/o-que-sao-as-ciencias-omicas/">estudos genômicos</a>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos 20 anos, a utilização de técnicas genômicas levou à identificação de uma diversidade microbiana até então desconhecida, e os avanços dessas técnicas têm permitido, ainda, mapear variações metabólicas entre cepas bacterianas. Isso é, hoje temos não só o genoma completo de uma ampla diversidade de microrganismos, como também podemos <strong>correlacionar mudanças na expressão dos genes a ambientes diferentes</strong>.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<h5><b>Quais novas aplicações biotecnológicas já existem a partir dessas mudanças?</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">As aplicações são múltiplas e em diversas áreas. A utilização das tecnologias genômicas nos laboratórios de microbiologia médica, por exemplo, permite a detecção de microrganismos não cultiváveis, o rastreamento de mutações em genomas de microorganismos resistentes a antibióticos, além do rápido </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/estudo-aponta-probabilidade-de-surgimento-de-variantes-mais-nocivas-do-coronavirus/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">monitoramento de linhagens virais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e suas mutações durante períodos de pandemia, algo que temos vivenciado nos últimos anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo além dos laboratórios médicos, o impacto da genômica na microbiologia é tão amplo que permite desde a identificação de genes presentes em comunidades microbianas associadas a plantas – para a busca de microrganismos que </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/produtos-biologicos-podem-ajudar-o-pais-a-diminuir-a-dependencia-de-fertilizantes-quimicos/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">auxiliam as plantas na tolerância ao estresse hídrico</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo – até a avaliação do impacto de fatores espaciais – como gravidade, radiação, perturbação circadiana e pressão atmosférica – em plantas e microrganismos submetidos a voos espaciais.  </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<h5><b>Dizem que o avanço da ciência da computação é exponencial. Agora que biologia e ciência de dados estão se desenvolvendo juntas, dá para prever o que vem por aí?</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2000 foi publicado um </span><a href="https://www.science.org/content/article/future-bioinformatics" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">artigo na revista Science</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre o </span><b>futuro da bioinformática</b><span style="font-weight: 400;">, e nele é possível ler a seguinte frase: “Qualquer um que faça qualquer biologia molecular certamente precisará fazer bioinformática”. E é basicamente isso que vivemos hoje, 22 anos depois. Atualmente, para se trabalhar com biologia molecular, é necessário um mínimo de conhecimento em bioinformática e ciência de dados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o futuro vejo algo análogo a isso, integrando as ferramentas de aprendizagem de máquina, algo que no artigo de 2000 não era nem pensado. Qualquer um que venha a trabalhar com biologia molecular deverá ter um mínimo de conhecimento sobre inteligência artificial. Isso porque provavelmente teremos abordagens similares ao </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/noticia/2020/11/inteligencia-artificial-do-google-resolve-um-dos-maiores-desafios-da-ciencia.html" target="_blank" rel="noopener"><b>AlphaFold</b></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, o programa de inteligência artificial desenvolvido pela Google, para previsões da estrutura de proteínas, direcionadas para diversas áreas, incluindo as áreas clínicas. Ou seja, daqui em diante, serão cada vez mais comuns </span><b>ferramentas que se utilizam da inteligência artificial</b><span style="font-weight: 400;">, sendo capazes de mudar e impactar determinados setores, como o AlphaFold impactou a predição de estrutura de proteínas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<h5><b>As universidades e instituições de pesquisa brasileiras estão acompanhando essas mudanças?</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Para se ter uma ideia, </span><a href="https://academic.oup.com/bioinformatics/article/36/9/2963/5780280" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">o Brasil ficou entre os 30 países</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maior impacto e qualidade nas publicações de bioinformática, ocupando a 26ª posição, em um levantamento realizado em 2020. Esse estudo considerou a relevância de trabalhos científicos na área com base no número de publicações e também de suas citações. Não é uma boa colocação, mas não é das piores. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<h5><b>Metagenômica e transcriptômica são o que há de mais avançado em ciência envolvendo estudos em microbioma? Quais novas ferramentas e conhecimentos estão emergindo e o que possibilitam?</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">O termo </span><b>metagenoma</b><span style="font-weight: 400;"> foi utilizado pela primeira vez em 1998 referindo-se ao conjunto de genomas de bactérias e fungos em amostras ambientais. O estudo dos metagenomas permite descrever apenas a presença de microorganismos e de seus genes, faltando o acesso a uma informação crucial, sobre a expressão de seus genes. Assim, para extrair </span><i><span style="font-weight: 400;">insights</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais profundos sobre o comportamento de uma determinada comunidade microbiana – frente a variações ambientais, por exemplo – é necessário utilizar a </span><b>metatranscriptômica</b><span style="font-weight: 400;">, que se refere ao estudo do conjunto dos transcritos expressos por essa comunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o que temos de ainda mais avançado hoje é a </span><a href="https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fgene.2020.610798/full" target="_blank" rel="noopener"><b>união das áreas “ômicas”</b></a><span style="font-weight: 400;">. Isso envolve, por exemplo: a integração da metagenômica com dados genéticos dos microrganismos em um determinado ambiente, da metatranscriptômica com dados de expressão de transcritos em uma comunidade microbiana a nível de RNA, a metaproteômica caracterizando essa expressão gênica a nível de proteína, e a metabolômica identificando o resultado dos processos metabólicos. A ligação de todas essas áreas permitirá uma compreensão maior acerca do</span><b> real comportamento de uma comunidade microbiana em um ambiente</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p><p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/como-a-ciencia-de-dados-esta-transformando-a-microbiologia/">Como a ciência de dados está transformando a microbiologia</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Afinal, o que é o microbioma?</title>
		<link>https://www.symbiomics.com.br/pt/afinal-o-que-e-o-microbioma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Symbiomics Team]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Apr 2022 20:58:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[genômica]]></category>
		<category><![CDATA[microbioma]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O microbioma é o conjunto de microrganismos, como bactérias, fungos, vírus, protozoários, entre outros, e as atividades que desempenham em [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/afinal-o-que-e-o-microbioma/">Afinal, o que é o microbioma?</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><strong>O microbioma é o conjunto de microrganismos</strong>, como bactérias, fungos, vírus, protozoários, entre outros, e as atividades que desempenham em um ecossistema ou organismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As plantas, por exemplo, são colonizadas por milhares desses seres invisíveis a olho nu, que participam de diversas funções importantes para sobrevivência vegetal, como:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Fornecimento de nutrientes, como nitrogênio, fósforo e potássio (NPK);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Auxílio na obtenção de água;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Aumento de tolerância a estresses ambientais como seca, calor, excesso de água, entre outros;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Defesa contra pragas e doenças.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, tecnologias baseadas em atividades microbianas como essas já existem no mercado de insumos agrícolas como </span><b>produtos biológicos</b><span style="font-weight: 400;">, coquetéis de microrganismos capazes de conferir alguma vantagem ao desenvolvimento vegetal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre eles, estão os </span><b>defensivos biológicos</b><span style="font-weight: 400;">, capazes de proteger a planta de pragas, e os </span><b>bioestimulantes</b><span style="font-weight: 400;"> ou </span><b>biofertilizantes</b><span style="font-weight: 400;">, que cumprem o papel de melhorar a produtividade vegetal, </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/produtos-biologicos-podem-ajudar-o-pais-a-diminuir-a-dependencia-de-fertilizantes-quimicos/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">ajudar na absorção de nutrientes pelas plantas ou na biodisponibilização de minerais presentes no solo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Microbioma X Microbiota</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">O conceito de microbioma vem sendo consolidado apenas recentemente. Até então, o termo “</span><b>microbiota</b><span style="font-weight: 400;">” era o mais comum, e utilizado para descrever determinadas comunidades microbianas presentes em um ambiente ou hospedeiro (como a microbiota intestinal em seres humanos, por exemplo). Hoje, pesquisadores defendem o uso do termo “</span><b>microbioma</b><span style="font-weight: 400;">” como parte deste vocabulário descritivo para refletir de forma mais acurada os recentes avanços científicos na área englobando, nesta definição, </span><b>características</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>funções</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>genomas</b><span style="font-weight: 400;"> dos microrganismos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, o microbioma inclui não apenas a totalidade de microrganismos presentes em um ambiente ou hospedeiro, mas também seu “teatro de atividade”, que nada mais é que todo repertório de funções e de moléculas produzidas pelos microrganismos, como metabólitos e ácidos nucleicos. Já a microbiota compreende apenas os microrganismos que fazem parte do microbioma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos em microbioma humano, hoje sabemos que todo o corpo é colonizado por microrganismos que formam uma importante linha de defesa contra patógenos e garantem o bom funcionamento do organismo. Recentemente, diversas pesquisas têm descoberto que a disbiose (ou desequilíbrio) da </span><b>microbiota humana intestinal</b><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, está relacionada uma maior suscetibilidade de doenças, como:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Doenças cardiovasculares;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31391921/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Diabetes tipo 2</span></a><span style="font-weight: 400;">;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Síndromes metabólicas;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><a href="https://doi.org/10.1016/S1474-4422(19)30356-4" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Alzheimer</span></a><span style="font-weight: 400;">;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Parkinson;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Esclerose múltipla;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Doenças autoimunes.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses exemplos demonstram que a ciência compreende, cada vez mais, que os microrganismos que habitam nosso corpo estão associados a uma infinidade de funções e são importantes promotores da </span><b>homeostase</b><span style="font-weight: 400;">. Isso é verdadeiro também para as plantas, conhecimento que está gerando uma onda de inovação biotecnológica principalmente na agricultura, como veremos a seguir.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Microbioma na agricultura: terreno fértil para inovação frente às mudanças climáticas</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A agricultura lida hoje com um conjunto de desafios que ameaçam sua produtividade, como </span><a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2022/02/28/novo-relatorio-do-ipcc.ghtml" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">as mudanças climáticas e a maior recorrência de eventos extremos</span></a><span style="font-weight: 400;">, como chuva e calor. No Brasil, fenômenos como secas mais intensas, alterações no regime de chuvas e aumento das temperaturas </span><a href="https://summitagro.estadao.com.br/sustentabilidade/mudancas-climaticas-centro-oeste-ja-perdeu-28-das-areas-agricolas/#:~:text=A%20partir%20de%202012%2C%20os,chegar%20a%2074%25%20em%202060." target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">já assolam as lavouras</span></a><span style="font-weight: 400;"> e são atribuídos pela ciência à crise climática. </span><b>Este é um problema real e que demanda adaptação global</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a derrubada de florestas e o uso extensivo da terra e fertilizantes são os principais fatores que contribuem para </span><a href="https://www.udop.com.br/noticia/2021/10/28/brasil-e-4-no-mundo-em-ranking-de-emissao-de-gases-poluentes-desde-1850.html" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">a emissão de gases de efeito estufa no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, há muito a ser transformado na maneira como encaramos e conduzimos a agricultura, tanto em uma perspectiva de mitigação dos efeitos causados pelas mudanças no clima, como de adaptação das lavouras aos mesmos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A inovação biotecnológica é um dos caminhos mais promissores para tornar a agricultura mais sustentável e também ajudar a adaptação das lavouras aos estresses ambientais que acarretam perda de produtividade vegetal. E é aí que chegamos às tecnologias baseadas em microbioma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os produtos biológicos contendo microrganismos não são novos. No Brasil, os inoculantes contendo bactérias do gênero</span><i><span style="font-weight: 400;"> Bradyrhizobium</span></i><span style="font-weight: 400;">, que contribuem com a fixação biológica de nitrogênio (FBN) em leguminosas como a soja, são produtos altamente disseminados desde a década de 1970. Para se ter uma ideia, na safra de 2019/2020, 79% da área de soja plantada nacionalmente foi tratada (inoculada)  com produtos à base de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bradyrhizobium</span></i><span style="font-weight: 400;">, de acordo com dados da Associação Nacional de Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII).</span></p>
<figure id="attachment_10087" aria-describedby="caption-attachment-10087" style="width: 1024px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-10087 size-large" src="https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/04/O-que-e-o-microbioma-1-1024x576.png" alt="" width="1024" height="576" srcset="https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/04/O-que-e-o-microbioma-1-1024x576.png 1024w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/04/O-que-e-o-microbioma-1-300x169.png 300w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/04/O-que-e-o-microbioma-1-768x432.png 768w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/04/O-que-e-o-microbioma-1-1536x864.png 1536w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/04/O-que-e-o-microbioma-1.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-10087" class="wp-caption-text">Os inoculantes para fixação biológica de nitrogênio (FBN) são amplamente utilizados na agricultura brasileira, em especial na cultura da soja, com uma taxa de adoção de quase 80%.</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que tem mudado na última década é o entendimento da ciência sobre o microbioma e o surgimento de novas e mais eficientes ferramentas para investigá-lo. A </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/o-que-sao-as-ciencias-omicas/" target="_blank" rel="noopener"><b>genômica</b><span style="font-weight: 400;">,</span><b> metagenômica </b></a><span style="font-weight: 400;">(análise do conjunto de genomas de uma comunidade microbiana) e a </span><b>ciência de dados</b><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">data science</span></i><span style="font-weight: 400;">) possibilitam hoje uma compreensão mais aprofundada do funcionamento holístico dos microrganismos colonizadores de um hospedeiro, como é o caso das plantas. Essa interação resulta em uma grande diversidade de resultados positivos: da indução de tolerância à seca, passando pelo aumento de biomassa e mitigação dos eventos de inundações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E isso tudo acontece à nossa volta, até mesmo nos </span><b>ambientes mais inóspitos</b><span style="font-weight: 400;">. Graças à seleção natural e à coevolução dos microrganismos junto aos seres mais complexos, o microbioma é parte essencial da sobrevivência de espécies de plantas nativas em ambientes estressantes, por exemplo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma </span><a href="https://doi.org/10.1073/pnas.2101177118" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">pesquisa</span></a><span style="font-weight: 400;"> conduzida ao longo de 10 anos no deserto do Atacama, no Chile – notório pela seca e intensa escassez de nutrientes no solo – mapeou o genoma de diversas bactérias que colonizam as espécies vegetais endêmicas. O estudo revelou que as bactérias encontradas estão associadas a diversas características necessárias à sobrevivência das plantas em condições estressantes, como </span><b>tolerância à seca</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>fixação de nitrogênio</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>estímulo da produção de hormônios vegetais</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversas instituições de pesquisa e empresas – </span><a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/tecnologia/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">como é o caso da Symbiomics</span></a><span style="font-weight: 400;"> – investigam as </span><b>relações planta–microbioma que ocorrem na natureza</b><span style="font-weight: 400;"> para desenvolver uma nova geração de produtos biológicos que conferem vantagens às culturas agrícolas. Essas tecnologias têm grande potencial não apenas para garantir a produtividade agrícola frente os estresses causados pelas mudanças climáticas, mas também para contribuir com soluções inovadoras – como a aplicação de microrganismos robustos e eficientes no </span><b>sequestro de carbono</b><span style="font-weight: 400;"> presente na atmosfera.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: 400;">Principais referências</span></h1>
<p><span style="font-weight: 400;">Berg, G.; Rybakova, D.; Fischer, D. Microbiome definition re-visited: old concepts and new challenges. <em>Microbiome</em> (2020). <a href="https://doi.org/10.1186/s40168-020-00875-0" target="_blank" rel="noopener">https://doi.org/10.1186/s40168-020-00875-0</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eshel, G.; Araus, V.; Undurraga, S.; Soto, D. C.; Moraga, C.; Montecinos, A.; <em>et al</em>. . Plant ecological genomics at the limits of life in the Atacama Desert. <em>Proc. Natl. Acad. Sci. U. S. A.</em> (2021). </span><a href="https://doi.org/10.1073/pnas.2101177118" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">https://doi.org/10.1073/pnas.2101177118</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cryan, J. F.; O&#8217;Riordan K. J.; Sandhu, K.; Peterson, V.; Dinan, T. G. The gut microbiome in neurological disorders. </span><span style="font-weight: 400;"><em>The Lancet Neurology</em> (2019). </span><a href="https://doi.org/10.1016/S1474-4422(19)30356-4"><span style="font-weight: 400;">https://doi.org/10.1016/S1474-4422(19)30356-4</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Armanhi, J. S. L.;  Souza, R. S. C.; Biazotti B. B.;  Yassitepe, J. </span>E. C. T.; Arruda, P. Modulating drought stress response of maize by a synthetic bacterial community. <em>Frontiers in Microbiology</em>. (2021)  <a href="https://doi.org/10.3389/fmicb.2021.747541" target="_blank" rel="noopener">https://doi.org/10.3389/fmicb.2021.747541</a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muscogiuri, G.; Cantone, E.; Cassarano, S. Gut microbiota: a new path to treat obesity. <em>Int J Obes Supp</em> (2019). <a href="https://doi.org/10.1038/s41367-019-0011-7" target="_blank" rel="noopener">https://doi.org/10.1038/s41367-019-0011-7</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zheng, D.; Liwinski, T.; Elinav, E. Interaction between microbiota and immunity in health and disease. <em>Cell Res.</em> (2020). </span><a href="https://doi.org/10.1038/s41422-020-0332-7" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">https://doi.org/10.1038/s41422-020-0332-7</span></a></p><p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/afinal-o-que-e-o-microbioma/">Afinal, o que é o microbioma?</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Biológicos podem ajudar a diminuir a dependência de fertilizantes químicos?</title>
		<link>https://www.symbiomics.com.br/pt/produtos-biologicos-podem-ajudar-o-pais-a-diminuir-a-dependencia-de-fertilizantes-quimicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Symbiomics Team]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 15:03:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[biológicos]]></category>
		<category><![CDATA[fertilizantes]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O conflito entre Rússia e Ucrânia trouxe à tona uma antiga discussão no meio agrícola brasileiro: como diminuir a dependência [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O conflito entre Rússia e Ucrânia trouxe à tona uma antiga discussão no meio agrícola brasileiro: como diminuir a dependência do setor da importação de fertilizantes? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A guerra entre os países evidenciou ainda mais o problema, já que o Brasil depende do mercado exterior para</span><b> importar cerca de 85% do insumo</b><span style="font-weight: 400;">, <a href="http://anda.org.br/pesquisa_setorial/">de acordo com a Anda</a> (Associação Nacional para Difusão de Adubos), e as importações foram dificultadas pelo conflito na região – que é a principal produtora dos fertilizantes NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) comprados pelo Brasil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido ao problema, o Governo Federal acelerou o lançamento do </span><a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/governo-federal-lanca-plano-nacional-de-fertilizantes-para-reduzir-importacao-dos-insumos#:~:text=O%20Plano%20Nacional%20de%20Fertilizantes%20(PNF)%20%C3%A9%20uma%20refer%C3%AAncia%20para,%3A%20ind%C3%BAstria%20tradicional%2C%20produtores%20rurais%2C"><span style="font-weight: 400;">Plano Nacional de Fertilizantes (PNF)</span></a><span style="font-weight: 400;">, que reúne medidas para melhorar a disponibilidade do insumo no país e desenvolver novas tecnologias em fertilizantes até 2050.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A crise já vem gerando um efeito cascata na economia e contribuindo para provocar a alta de combustíveis e alimentos – problema que deve persistir mesmo após o fim do conflito. As jazidas de potássio ativas exploradas para produção de fertilizantes estão se esgotando ao redor do planeta, encarecendo o insumo, e </span><b>cresce a necessidade de se explorar fontes alternativas de fertilização do solo</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento de produtos biológicos baseados em microrganismos que atuem na disponibilização desses nutrientes é apontado por especialistas como um caminho promissor para diminuir seu uso no futuro e tornar a agricultura mais sustentável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas tecnologias são desenvolvidas com o objetivo de conferir alguma vantagem produtiva a determinados cultivares. </span><b>Elas se diferenciam dos chamados agroquímicos</b><span style="font-weight: 400;"> pois se baseiam em microrganismos e nas funções que agregam junto a plantas, no caso de bioestimulantes e biofertilizantes, ou para controle de pragas, no caso dos defensivos biológicos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Soluções baseadas em microrganismos</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Já existem no mercado brasileiro </span><b>produtos biológicos com microrganismos que atuam na disponibilização de minerais</b><span style="font-weight: 400;">. Os produtos não substituem os fertilizantes químicos, mas aumentam sua eficácia, possibilitando um manejo mais econômico do insumo. O problema é que ainda há poucas soluções baseadas em microrganismos utilizadas no Brasil e no mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com Solismar Venzke Filho, consultor com experiência em uso de biológicos, uma solução interessante que tem crescido no Brasil é o </span><b>uso de pó de rocha ou remineralizadores associado a microrganismos</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“São as chamadas rochas silicatadas. Elas têm um teor mais baixo de nutrientes do que os sais que vêm nos fertilizantes e sua solubilidade é menor também. Mas se juntarmos os </span><b>microrganismos</b><span style="font-weight: 400;">,</span><b> uma fonte orgânica de carbono </b><span style="font-weight: 400;">e o</span><b> pó de rocha</b><span style="font-weight: 400;">, ocorre uma solubilização desses nutrientes”, explica Venzke Filho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar desse método liberar menor quantidade de nutrientes em um primeiro momento, tem potencial para uma disponibilização contínua de minerais, contribuindo para a fertilização do solo a longo prazo. Além disso, trata-se de um método </span><b>mais barato</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>sustentável</b><span style="font-weight: 400;">, já que os remineralizadores são subprodutos dos processos de mineração que seriam descartados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com Venzke Filho, entretanto, alguns fatores ainda representam empecilhos para maior disseminação desse tipo de produto associado a biológicos disponíveis hoje, como o</span><span style="font-weight: 400;"> </span><b>manejo específico</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>falta de conhecimento técnico</b><span style="font-weight: 400;"> para aplicação e acompanhamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E ainda há muito espaço para inovar nas tecnologias baseadas em microbioma. Ferramentas como a </span><b>edição genômica</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b><i>machine learning</i></b><span style="font-weight: 400;"> estão permitindo a prospecção e reprogramação de microrganismos encontrados na natureza para que sejam mais eficientes na disponibilização de minerais para as plantas. No futuro, esses produtos baseados em microbioma terão grande potencial para </span><b>diminuir a dependência agrícola de fertilizantes</b><span style="font-weight: 400;">, aumentando a eficiência da fertilização ou contribuindo para o melhor aproveitamento dos que já existem no solo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do potencial, para <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/solon-cordeiro-de-araujo-e-o-novo-membro-do-conselho-consultivo-da-symbiomics/">Solon Cordeiro de Araujo</a>, microbiologista com mais de 50 anos de experiência na área de inoculação para fixação biológica de nitrogênio (FBN), </span><b>é improvável que os biológicos cheguem a substituir os fertilizantes químicos</b><span style="font-weight: 400;">. “Eu não vejo isso como uma possibilidade. É uma luta mais ou menos constante. Se nós conseguirmos desenvolver tecnologias que reduzam de 50% a 70% o uso de produtos químicos, já seria um ganho fantástico para sociedade como um todo, principalmente em termos de sustentabilidade na agricultura”, explica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo ele, os produtos contendo microrganismos devem se inserir na lavoura como um complemento que permite maior eficácia dos insumos e melhor aproveitamento de nutrientes já existentes no solo, diminuindo a dependência dos fertilizantes químicos. </span></p>
<p style="font-size: 16px; font-weight: 400;"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-10024 size-large" src="https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Design-sem-nome-1024x576.png" alt="microrganismos" width="1024" height="576" srcset="https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Design-sem-nome-1024x576.png 1024w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Design-sem-nome-300x169.png 300w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Design-sem-nome-768x432.png 768w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Design-sem-nome-1536x864.png 1536w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Design-sem-nome.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Um mercado em expansão</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, os produtos biológicos mais disseminados na agricultura brasileira são aqueles que contêm bactérias fixadoras de nitrogênio e auxiliam culturas como a soja na absorção mais efetiva desse nutriente do solo. Na safra de 2019/2020, </span><b>79% da soja plantada no país</b><span style="font-weight: 400;"> recebeu inoculação com </span><i><span style="font-weight: 400;">Bradyrhizobium</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma das bactérias utilizadas para fixação de nitrogênio, de acordo com a ANPII (Associação Nacional de Produtores e Importadores de Inoculantes).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso desse tipo de inoculante, por aumentar a produtividade da cultura, é uma opção para auxiliar agricultores a reduzir o uso de fertilizantes nitrogenados químicos, que se acumulam no solo e na água e prejudicam o meio ambiente. Além disso, devido ao seu </span><b>baixo impacto ambiental</b><span style="font-weight: 400;"> e</span><b> na saúde humana</b><span style="font-weight: 400;">, muitos desses produtos são enquadrados em especificações de referência (ERs) de órgãos reguladores para produção de orgânicos e podem ser utilizados para produção desses alimentos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, o mercado de biológicos tem passado por um intenso crescimento, na esteira do interesse de agricultores e consumidores por soluções inovadoras no campo com baixo impacto ambiental. O mercado mundial de controle biológico foi avaliado em </span><b>US$ 2,8 bilhões em 2020</b><span style="font-weight: 400;">, com projeções para ultrapassar </span><b>US$ 11 bilhões em 2025</b><span style="font-weight: 400;">. Somente no Brasil, uma estimativa da consultoria Blink apresentada pela CropLife Brasil em 2021 é que esse mercado dobre de tamanho até 2030, atingindo </span><b>R$ 3,69 bilhões</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><a href="http://croplifebrasil.org/publicacoes/produtos-biologicos-registrados/">Esse crescimento</a>, impulsionado pelas demandas por soluções agrícolas sustentáveis, também vem sendo acompanhado pelo grande aumento de aprovações no âmbito regulatório. </span><b>Até 2021, 503 dos chamados produtos biológicos de baixo impacto haviam sido aprovados</b><span style="font-weight: 400;"> para uso em lavouras brasileiras pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Mais da metade dos registros (284) são dos últimos 4 anos, </span><a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/novos-produtos-de-baixo-impacto-para-o-controle-de-pragas-tem-registro-publicado"><b>com 92 deles apenas em 2021</b></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>Quase todos esses produtos são para controle biológico de pragas</b><span style="font-weight: 400;">, incluindo bioinseticidas, bionematicidas, biofungicidas e bioacaricidas. Há escassez, entretanto, de produtos de base microbiológica que ofereçam outras possibilidades e soluções inovadoras. Especialmente considerando os novos desafios que o setor agrícola vem enfrentando, em meio à </span><b>crise de abastecimento de fertilizantes</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>mudanças climáticas</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Durante um certo período se pensava que o solo seria apenas um repositório para fixar a planta e que os nutrientes seriam concedidos através de adubação e fertilização. </span><b>Isso falhou totalmente</b><span style="font-weight: 400;">. O solo começou a se degradar, junto com a produtividade. Hoje já se sabe que além do conhecimento físico e químico sobre a lavoura, também é preciso entender sua microbiologia”, explica Araujo. “Todos os fenômenos que ocorrem na planta estão, de alguma forma, </span><b>intrinsecamente ligados aos microrganismos</b><span style="font-weight: 400;">”, finaliza.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-10034 size-large" src="https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Grafico-registro-biologicos-4-1024x1024.png" alt="produtos biológicos registrados brasil" width="1024" height="1024" srcset="https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Grafico-registro-biologicos-4-1024x1024.png 1024w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Grafico-registro-biologicos-4-300x300.png 300w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Grafico-registro-biologicos-4-150x150.png 150w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Grafico-registro-biologicos-4-768x768.png 768w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Grafico-registro-biologicos-4-320x320.png 320w, https://www.symbiomics.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Grafico-registro-biologicos-4.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p><p>The post <a href="https://www.symbiomics.com.br/pt/produtos-biologicos-podem-ajudar-o-pais-a-diminuir-a-dependencia-de-fertilizantes-quimicos/">Biológicos podem ajudar a diminuir a dependência de fertilizantes químicos?</a> first appeared on <a href="https://www.symbiomics.com.br">SYMBIOMICS</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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